A nossa imagem perante os outros pode definir a forma como eles atribuem juízos preconcebidos a nosso respeito. Todas as sociedades humanas tem os seus códigos e definem as suas regras como nos devemos apresentar em público. Nas sociedades ocidentais a moda é extremamente democratizada, existe muita liberdade de escolha, as possibilidades são imensas. Nos tempos actuais, na apressada vida urbana a tolerância pelas opções estilísticas individuais confunde-se muitas vezes com indiferença. Proliferam como cogumelos várias tribos que usam a moda como forma de se afirmarem sobretudo entre os jovens a "vanguarda" experimentalista mais aberta a esse tipo de experiências.
Mas seria tolice acreditarmos que somos assim tão livres e que podemos escolher o que bem nos aprouver sem consequências. A sociedade irá sempre controlar-nos, podemos ter a ilusão que as nossas escolhas individuais são apenas nossas mas se olharmos bem existem sempre mecanismos de controle mais subtis e que são igualmente eficazes.
Um empregado de escritório se quiser ir trabalhar vestido de Tarzan terá que esperar pelo Carnaval se não desejar ser internado de imediato num hospício.
A censura pública pode ocorrer em múltiplas situações, imaginemos as seguintes situações:
1º- Uma mãe solteira gosta de se vestir de forma provocante com mini-saias e vestidos apertados que salientam de forma exuberante o seu corpo. No prédio onde ela mora vivem sobretudo casais com alguma idade, conservadores nos costumes e que antipatizam fortemente com ela. Esses vizinhos não tem o menor escrúpulo em criticar a forma como ela se veste, acham que é uma "oferecida" provocadora e usando aqueles trajes revela ser uma mera prostituta. Na verdade ela apesar de não ser muito conversadora nunca tomou nenhum atitude de hostilização para com os condóminos do prédio, cumpriu sempre os seus deveres, nem nunca teve sequer nenhuma queixa por excesso de barulho, nesse aspecto é exemplar.
Sobretudo o "mulherio" do prédio não perdoa o uso daquela indumentária terrorista, aquilo representa uma afronta, desiquilibrio inaceitável das regras de etiqueta e bons costumes. A mãe solteira tornou-se o inimigo comum que une a vizinhança na sua coscuvilhice de vão de escada. Sem a conhecerem bem, partiram para extrapolações abusivas apenas porque ela era uma estranha que entrou de forma abrupta num universo que não lhe pertencia. Com aquele silêncio e com aquela farda militar ela decretou guerra, os outros vingam-se tecendo narrativas delirantes. O mais pequeno grão de pó é ampliado e nessa altura já se assemelha a uma incómoda mancha, no fim do achincalhamento o mito já substitui a realidade. Passa a existir uma rotina, inclusive até momentos de alegria, se alguém vê alguma coisa lá começa a galhofa e a troça, pronto lá existe mais um motivo para socializar e fortalecer a união.
2º- Um estudante de ensino secundário gosta de ser rebelde e provocador, na cara está cheio de piercings, tem várias tatuagens nos braços e usa um penteado radical inspirado nos índios Tomahawk. Gosta de vestir T-shirts provocadoras onde estão escritas mensagens desafiadores para quem está a tiver a ousadia das ler. Eis alguns exemplos dessa bela prosa: " Ontem comi a tua mãe e hoje já ganhaste um irmão.", "O meu é maior que o teu", "Estranho é o que tens entre as pernas.", "Sim já abriu uma vaga no meu harém se pagares a comissão ainda podes entrar."
Nos cadernos escolares costuma ter as capas forradas com páginas de revistas pornográficas tudo com o propósito de escandalizar. Sabe que tem a cobertura dos pais que protegem afectuosamente a sua prima donna, instintivamente a nossa estrela precoce sabe que o seu destino deverá ser a "moda". Corajoso, aspira a poder lançar tendências, está indeciso se deverá ser um estilista, rock star, comentador, actor, escritor, realizador, artista plástico. Encontrou a forma de sucesso e sente-se confortável nesse papel, não o assusta a polémica mesmo que fique ostracizado temporariamente ele compreende que as guerras ganham-se a partir de nichos na oposição, posteriormente conquistará o seu espaço. O seu lema é claro " Opõe-te ao que existe só assim serás alternativa ao que existirá."
Na escola não tem uma vida fácil, é literalmente detestado por todos. Mesmo os professores não escondem a repulsa que sentem por aquele arruaceiro convencido, é de tal forma um foco de desequilíbrio que torna-se complicado dar uma aula corriqueira sem ondas. São as sweet shirts laranjas florescentes, os lenços presos na cabeça, o barulho que ele faz com as pulseiras que tem no pulso. Ainda por cima fica sempre na frente e gosta de se sentar perto do professor, como se existisse uma lei de excepção para ele. A autoridade do educador fica como que minada quando diante dele está um extraterrestre insolente que se julga acima da ordem natural.
Mesmo quem simpatiza inicialmente com a sua vertente mais rebelde fica desiludido depois de algum tempo, ele é um elefante à solta numa loja de porcelana, nem dormia descansado se não causasse algum estrago ao fim do dia.
Os colegas dele da escola não poupam nas meiguices, despejam toneladas de maldade em cima dele mas ele dá o troco sempre que tem ocasião. Invariavelmente o rastilho para o confronto é o seu arrojado visual, os outros reagem incomodados como se tivessem expostos a radiação nuclear. Piadas que o catalogam como gay com a mania que é alguém são recorrentes, vinga-se dando um beijo na boca do trocista enquanto apalpa as partes baixas numa atitude de desafio.
Um rapaz a quem ele fez essa gracinha, enfurecido pegou em pedras da calçada e por pouco não cometia um assassinato. Mesmo o modo de lutar dele é curioso, gosta de trincar os seus adversários se puder não hesita em atacar as orelhas. A população estudantil teme-o e persegue-o, no fundo todos desejam que desapareça, o facto dele resistir causa a todos uma estranha admiração nunca assumida.
A provocação nele é um modo de vida, exterioriza de forma panfletária a sua mentalidade, dizer que ele se mascara não seria honesto pelo contrário, existe claramente coerência no que ele faz. Poderemos discutir se tanta escandaleira em dose industrial leva a algum lado afinal ele tem um plano nada convencional, ser amado por caminhos tortos na contrariedade.
3º-Imaginemos uma bibliotecária, tímida, medrosa, gagueja múltiplas vezes e tem um timbre de voz fraquinho quase que não se ouve bem. Gosta de usar saias compridas, através do vestuário procura esconder as formas. Os óculos grandes de mais e já um tanto desactualizados dão-lhe um ar pesado, definitivamente ela não liga muito as tendências da moda e rodeada dos seus complexos de inferioridade está longe de acreditar que pode ser sequer sensual. Procura apenas camuflar-se para poder sobreviver, nada de chamar a atenção, o mundo tem os dentes afiados.
Os familiares e os amigos mais íntimos não param de lhe pedir que se mexa. A mãe não perde uma oportunidade para criticar o penteado, maquilhagem desleixada, fato desactualizado, sapatos reveladores de mau gosto. A progenitora desespera, assim a sua filha nunca vai casar, nenhum portador de esperma irá desposar tão deslavada criatura, o sonho de ter netos e descendência parecem condenados a morrer.
Algumas amigas parecem querer incentiva-la para que ela se arranje de outra forma, têm a secreta esperança que mudando o visual possam alterar um pouco a sua personalidade tornando-se assim uma mulher mais competitiva e dinâmica.
Ela responde de forma evasiva quase envergonhada, pede desculpas e tenta passar despercebida. À sua maneira pode-se dizer que é rebelde, segue o seu caminho e rejeita ser manipulada. Se pudesse nem respirava para não notarem nela, detesta o confronto, arranja então formas de flanquear-se e diplomaticamente seguir o seu destino.
Tem no entanto a noção que muitas das atordoadas que recebe são indirectas, querem atingir o interior e não o papel de embrulho. Sente-se muitas vezes perseguida, conversas sobre vestidos, roupa, revista de moda vai dar tudo ao mesmo, ela está errada e tem que mudar.
Penso que estes exemplos nos obrigaram a reflectir que de facto a nossa indumentária e visual podem ser motivo de censura em várias circunstâncias. Os casos que referi revelaram que para além da troça e da critica existem outras questões mais subterrâneas que não são muito visíveis a olho nu e que são complexas de analisar.
Existe um programa que passa num canal de televisão por cabo, mistura entre concurso e reality show. O conceito é simples, os familiares e amigos à socapa preenchem a a candidatura de alguém que tem uma aparência lastimosa e que supostamente se veste muito mal. Existem dois apresentadores, um homem e uma mulher, grandiosos especialistas e conhecedores do universo "Fashionable". Ela é uma convencida de primeira, não faz tenções de esconder que é pretensiosa e dona da verdade, ele é um gay sofisticado que se entretêm em estranhos malabarismos apesar da sua aparente formalidade.
Vi no total uns sete episódios, recordo-me de um em particular onde aparecia uma concorrente que era uma senhora quarentona que trabalhava num jardim de infância e que se vestia como uma pré-adolescente sem a menor noção do ridículo. Tinha uma tatuagem completamente despropositada na perna esquerda, aparecia lá representada uma Minnie a dar um beijinho no rato Mickey. Os apresentadores davam então umas fortes bastonadas na cabeça da concorrente, criticavam-na quase a gozar mostrando imagens dela no dia-a-dia a usar trajes quase carnavalescos para a idade dela. A quarentona ria-se e mostrando ter "fair-play", justificava-se dizendo que usava aquelas vestimentas para estar mais próxima das crianças que estavam à sua guarda no infantário. Surgem depois revelações comprometedoras onde se prova que a filha dela de nove anos muitas vezes é que escolhe a roupa que a mãe tem que usar. Começa a ser portanto inegável que a concorrente não queria crescer e ao usar aquela roupa procurava de forma atabalhoada perpetuar a sua juventude.
Ela tinha que queimar o antigo guarda-roupa, davam-lhe depois um cheque bem recheado e depois devidamente assessorada iria fazer uma série de compras. Os apresentadores deixavam-na cometer erros para depois a criticaram do topo do seu pedestal. Pouco e pouco ela ia-se adaptando ao seu novo guarda-roupa, escolhiam peças de roupa que a favoreciam mais, fosse para dissimular a barriga ao criar a ilusão que ela era mais elegante. Procuravam escolher peças de roupa coincidentes com a personalidade dela mas apropriadas ao seu status social.
Posteriormente foi ao cabeleireiro e passou também pela maquiadora, a imagem dela estava definitivamente em mutação. Após vários passos em frente entre compromissos possíveis ela parecia irreconhecível. Surgiam depois imagens dela aos saltinhos toda vaidosa, satisfeita não parava de se olhar ao espelho, enfim... exemplos inesquecíveis do entretenimento televisivo americano no seu esplendor.
Vemos isto na televisão e parece fácil esquecermo-nos que tudo foi filmado, montado, houve um prévio acordo entre as partes. No fim nada garante que os ex-concorrentes não regressem aos seus velhos hábitos, a ilusão de happy end é mesmo isso uma ilusão. Se calhar existiram casos em que as coisas não correram tão bem, terá havido inclusive uma ruptura explosiva que foi devidamente silenciada. Esses episódios estragados obviamente não vão para o "ar", ficam escondidos algures num armário onde estão guardados vários embaraços comprometedores.
1º- A vizinhança teve uma ideia de arrepiar, resolveram dar uma estocada vingativa na mãe solteira. Alguém se lembrou de inscrever a convencida silenciosa no tal programa dos consultores de moda. Os risinhos de conspiração multiplicavam-se sempre que havia uma agrupamento ocasional onde era debatido o assunto. Começavam a antecipar os resultados e já imaginavam os embaraços e a rendição humilhante.
A mãe solteira nem queria acreditar quando abriu a porta do seu apartamento e diante dela estavam os dois apresentadores, câmaras e o resto da equipa técnica. Não sabia bem explicar porque os deixou entrar para dentro de casa; vontade inconsciente de entrar para o show biz? Na verdade ela não conhecia aquele programa, foi necessário todos sentaram-se e ela começar a visualizar imagens dela no dia-a-dia para perceber onde se estava a meter.
Fica a olhar para um pequeno televisor que está a sua frente, aparecem comentários dos vizinhos a dizer que ela deveria mudar de roupagem porque assim parece uma prostituta. É referido inclusive que noutros prédios já a conhecem como a cadela do cio e que na casa dela são perpetuadas orgias inaceitáveis. Várias pessoas comentam a cor dos vestidos, a falta de gosto, referem que usar aquela roupa com a idade dela revela falta de bom-senso ainda para mais tendo em conta que ela é mãe.
Os sarcásticos apresentadores procuram elucidá-la que não é bom ela ser a chacota da rua e que não se pode ser eternamente a Miss T-shirt molhada. O apresentador gay refere que definitivamente aquele vestido de noite amarelo não é muito prático quando ela se baixa para apanhar as chaves que caem para o chão. Assim muitos homens vão aproveitar para espreitar a cor das cuecas dela e desse modo perde-se o factor mistério.
A apresentadora impõe-se ostentando mais um ar professoral, não lhe apetece minimamente esconder o veneno feminino, afinal isso até dá audiências. Refere que pode existir desespero da parte dela para arranjar um marido pois desse modo a família ficaria mais completa, o filho agradeceria. Não se deve cair no entanto no exagero assim perde-se a eficácia e espanta-se a caça. Uma plumagem mais feminina com sobriedade pode transmitir uma imagem de glamour bem mais sedutora e com aprovação social garantida.
O vestuário acaba por ser demasiado explicito, será chegada portanto a altura de ela pensar numa nova abordagem mais coincidente com o que as pessoas que a rodeiam esperam dela.
Consegue conter a explosão da indignação afinal está a ser filmada, com diplomacia diz que quer ir à casa de banho e que já regressa. Quando se fecha lá dentro já não tem que esconder o rosto vermelho e os olhos a injectarem raiva. As bestas das vizinhas gozavam com ela como nunca julgou, era a galhofa, achincalhada de forma inaceitável nem quer acreditar como andou distraída, afinal andava a passear num ninho de cobras e não percebia a gravidade da situação.
Depois aquela cadela da apresentadora! Que sabe ela da vida dela? Vivemos numa porcaria de um país livre onde existe liberdade de expressão, ela veste o que bem lhe apetecer. Sempre gostou de ser escandalosa e exuberante, o que é que os outros têm a ver com isso? Se não gostam, não olhem! Quer lá saber de arranjar um marido, nunca gostou de compromissos ela gosta é de libertinagem e relações abertas. Sabe educar bem o filho e não precisa de lições de moral de idiotas que acabaram de chegar agora e não sabem do que falam.
Quando regressa não quer escutar as falinhas mansas referentes ás vantagens de assinar um contrato. Trata logo de inutilizar as câmaras num golpe brusco despropositado não tendo escrúpulos em atirar o camera-man para o chão. Pega no pau da vassoura e enfurecida trata de limpar aquela escumalha arrogante dali para fora. Peixeirada de grande nível pois então, nem as vizinhas escapam, dá encontrões valentes nas portas e manda-as para um determinado sitio sem falinhas mansas. Finalmente estava o caldo entornado, rebentava a guerra em grande estrondo e tudo o que estava adormecido explodia.
2º- Ninguém sabe quem teve a ideia de candidatar o aluno rebelde para que ele pudesse ser reciclado no tal programa de TV. Formalmente foram uns primos que deram a cara mas suspeita-se que houve a colaboração de alguns colegas da escola. Quando ele foi interpelado no meio da rua não conseguiu imediatamente lembrar-se de quem eram os seus intervenientes. Quando lhe perguntaram se ele aceitava mudar de imagem para ser mais aceite socialmente, tentou reflectir qual seria o meio mais eficaz de responder. Morder as orelhas era capaz de não ser muito sexy, afinal aparecer assim na televisão poderia ser um estigma para futuros saltos. Mas uns socos bem aviados naqueles peneirentos até que ficava bem na fotografia, não quis comprometer-se com nada e resolveu levá-los para a garagem da casa dos pais.
A oportunidade de aparecer na televisão e mostrar-se a um novo público é algo que nunca se descarta. Teria que ser inteligente, ácido, irónico e sobretudo sabotar tudo com grande estrondo. Fingiu concordar mas quer apenas torturar os apresentadores, começa logo por criticar as suas respectivas indumentárias. O gay entre risadas diz que isso é um pouco tonto para quem está vestido com umas calças roxas apertadas, usa uns ténis rotos e tem uma t-shirt amarela com bolinhas verdes rasgada nas axilas supostamente para que os outros possam cheirar melhor o seu suor.
Rebenta-lhe com a bolha da pastilha elástica na cara, o estudante acha graça exibir agressividade gratuita, espera ter mais oportunidades para o fazer. Pergunta depois qual a idade da apresentadora porque ela pintou mal o cabelo e as madeixas brancas é que revelam a cor original. Sarcástica ela responde que se já aconteceu ele ficar com a popa Tomahawk presa em alguma fresta de uma porta pequena. Sem hesitar baixa a cabeça e tenta esfregar a popa em cima da cara dela, refere que o faz porque ela precisava de uma bela esfregadela para limpar as lêndeas. O couro cabeludo dele é melhor pois que qualquer vulgar escova da loja dos trezentos.
A apresentadora recomenda-lhe que para além da moda alienígena desfasada do actual espaço temporal ele comece a pensar seriamente em comprar um novo enxoval mental. O apresentador refere ainda que o número do rebelde insensível já está um pouco demodé, costuma terminar no marginal enclausurado numa penitenciária. Chama também a atenção que os paizinhos dele não vão eternamente limpar os cacos, com esse visual o futuro dele será o sanatório.
A produtora assistente vê potencial no rapaz, a sua malcriação tem potencial, as audiências gostam. Mas só será útil se puder ser domesticado, para isso tem que assinar o contrato para que a conclusão fique mais previsível. O estudante rebelde percebe então que eles só vão brincar mais com ele se assinar e ficar assim amestrado, amarrado aos vínculos legais que se infringidos dão direito a uma ida ao tribunal.
Que pena, lá terá que ir buscar o Roger, o seu adorável Pitbull, pode ser que algum sangue dê para usar nas suas novas pinturas neo-expressionistas.
3º- A bibliotecária amaldiçoa a sua vida, porque diabo haviam da vir atazanar. Aqueles apresentadores são horríveis, ela quer sair daquele filme a toda a velocidade. Não tem coragem para os empurrar dali para fora e agora acabou de assinar o contrato. Vai ser ainda mais humilhada, porque raio não a deixam em paz. Estão sempre a tentar manipulá-la, ela não quer ser nenhuma marioneta. A mãe dela ou a prima é que devem ter enviado a candidatura. Está farta disto, nunca é levada a sério, tentam sempre moldá-la à força de marteladas. Em todo o caso mesmo que aquilo seja filmado vai fazer figura de louca, nunca vai permitir que queimem as roupas antigas dela. Não há direito, gozam com a cara dela e isto nunca vai mudar.
Lá começa a chorar, mas entretanto agarra-se à roupa antiga e não permite que a levem. Como uma mula teimosa vai resistir, bem pode ela fechar os olhos aquilo vai mesmo aparecer na televisão. Será tema de conversa por muito tempo, muita gente vai divertir-se com as tristes figuras dela.
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