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Recentemente adquiri um livro da colecção Livros Unibolso com o seguinte titulo "A queda da casa de Usher e outras histórias" de Edgar Allan Poe. Já o havia lido há anos atrás e que foi um prazer reler, trata-se de um livro de contos diversificados do autor antes referido. Conseguem-se arranjar boas aquisições no mercado de usados.
Esta breve descrição refere algumas características do escritor.
"Se a literatura mundial deve a Edgar Allan Poe (1809 - 1849) a criação do género policial, com os seus contos de dedução e raciocínio, ao escritor americano cabe também o mérito de haver renovado o conto e o romance de terror, de mistério e de morte, neles ter introduzindo o factor científico que dava um cunho de verosimilhança e de verdade.
O género já existia: em 1764, com a obra Castelo de Otranto, Horace Walpole, romancista inglês, iniciava o género que chamou "romance negro", ou "romance gótico", talvez porque a acção se situava quase sempre em velhos castelos e mansões medievais.
A influência do "romance negro" foi imensa na Inglaterra, na França e na Alemanha. Pode-se encontrá-la em escritores como Walter Scott, Byron, Shelley, cuja esposa, também escritora, criou o famoso personagem Frankenstein. Muitos outros autores não escaparam à influência do género, mas Poe renovou-o, tornando-o obra de arte e não apenas um meio de desencadear terror em leitores impressionáveis.
Enquanto os demais autores descreviam um medo exterior, que provinha de mundo sobrenatural da fantasmagoria, da cenografia teatral com alçapões, fumaça de enxofre e monstros, rasgando risadas horripilantes, Poe descrevia um medo real, um medo que estava dentro do próprio personagem. As suas personagens são condenáveis, fracos, viciosos, dignos de dó, e condenados a pagar com a morte os próprios vícios."
(Adaptado por W.L. Cereja, de "Edgar Allan Poe: Ficção completa, poesia & ensaios". Rio de Janeiro: Aguilar, 1963.)Se analisarmos a biografia de Poe, descobrimos que :
"Edgar Allan Poe nasceu no seio de uma família escocesa-irlandesa, filho do actor David Poe Jr., que abandonou a família em 1810, e da actriz Elizabeth Arnold Hopkins Poe, que morreu de tuberculose em 1811. Depois da morte da mãe, Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, um mercador de tabaco bem sucedido de Richmond, que não o adoptou legalmente, mas lhe deu o seu sobrenome.
Depois de frequentar a escola de Misses Duborg em Londres, e a Manor School em Stoke Newington, Poe regressou com a família Allan a Richmond em 1820, e registou-se na Universidade da Virgínia, em 1826, que viria a frequentar durante um ano apenas. Desta viria a ser expulso graças ao seu estilo aventureiro e boémio.
Na sequência de desentendimentos com o seu padrasto, relacionados com as dívidas de jogo, Poe alistou-se nas forças armadas, sob o nome Edgar A. Perry, em 1827. Nesse mesmo ano, Poe publicou o seu primeiro livro, Tamerlane and Other Poems. Depois de dois anos de serviço militar, acabaria por ser dispensado.
Em 1829, a sua madrasta faleceu e reconciliou-se com o seu padrasto, que o auxiliou a entrar na Academia Militar de West Point. Em virtude da sua, supostamente propositada, desobediência a ordens, ele acabou por ser expulso desta academia, em 1831, facto pelo qual o seu padrasto o repudiou até a sua morte, em 1834. Poe mudou-se, em seguida, para Baltimore, para a casa da sua tia viúva, Maria Clemm, e da sua filha, Virgínia Clemm.Durante esta época, Poe usou a escrita de ficção como meio de subsistência e, no final de 1835, tornou-se editor do jornal Sothern Literary Messenger em Richmond, tendo trabalhado nesta posição até 1837. Neste intervalo de tempo, Poe acabaria por casar, em segredo, com a sua prima Virgínia, de treze anos, em 1836."
(Fonte: Wikipédia)
A mestria de Poe na forma como escreve contos é lendária, estamos diante de um dos grandes vultos da literatura. Fantástico a forma como ele aborda temas tão diversos e como a imaginação prodigiosa dela cria espantosos enredos.
Admiro também a diversidade de temas e inclusive métodos de escrita diferente. Por vezes é mais denso, outras de uma extrema simplicidade.
Nos contos " O escaravelho de Ouro" e "Enterramento prematuro" o autor consegue surpreender-nos, criando uma ilusão de expectativa que não se concretiza, induz-nos a pensar num caminho que afinal tinha muitos desvios.
O "Enterramento prematuro" é particularmente delicioso, pois através da apresentação de vários casos verídicos de pessoas enterradas vivas, o protagonista vive atormentado com medo de lhe acontecer o mesmo devido a um problema de saúde que o torna vulnerável.
A expectativa do medo eminente é torturante e a forma como é ultrapassado este problema ensina-nos uma lição de vida importante.
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CULPA.
Gostaria de desenvolver um aspecto que acho muito pertinente na obra deste consagrado escritor.
O conflito com o Padrasto em que ele surgia como uma figura autoritária, lembrando constantemente as falhas do rebelde escritor que se revelou inadaptado, caindo no vicio da bebida ao do jogo, falta de compromissos, criando dividas, entrando em brincadeiras com os colegas onde por vezes tudo perdia o controle.
Quando ele fica em casa da sua tia viúva em Baltimore e torna-se editor do jornal Sothern Literary Messenger ele era já uma figura atormentada como nunca o deixara de ser ao longo da vida. A pressão social dos pais adoptivos que lhe deram condições de vida mas exigiam que ele triunfasse na vida foi sempre um peso difícil de suportar. O complexo de culpa é algo que o persegue de forma insistente.
Sendo um individuo inteligente e de grande sensibilidade artística, deixava-se enredar numa busca de sensações onde não conseguia colocar um freio numa espiral de loucura em que se lançava.
Punia-se de forma dura nas imensas personagens autobiográficas que povoam os seus contos infligindo-lhes penosos castigos.
A culpa surge sobre várias capas: culpa de matar o gato, a mulher, culpa de matar a consciência, senhorio, avô, roubar algo....
O problema com o álcool é um fantasma que o persegue. Várias vezes sofre humilhações devido a vergonhas que comete quando em embriaguez. Não fossem os inúmeros amigos fieis que o auxiliam e com os quais tem que se desculpar e lançar novas promessas de redenção.
Sente uma imensa culpa por atormentar quem lhe quer bem e essa preocupação trespassa na obra literária dele.
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Quando Edgar Allan Poe casou com a sua prima Virgínia Clemm que tinha apenas treze anos nessa altura, muito se especulou a respeito da relação do casal. Para muitos afirmaram que eles nunca chegaram a ter relações sexuais, acima de tudo o que os unia era uma grande amizade de inspiração fraternal. A morte da esposa devido a Tuberculose em 1847 teve um efeito devastador sobre ele, perdeu uma fonte de apoio e equilíbrio emocional. Ao longo dos textos de prosa e poesia que criou um tema recorrente que é a morte precoce de uma mulher jovem extremamente bela e o desgosto amoroso como reacção da imensa perda.
A vida amorosa de Edgar Allan Poe começou com uma paixão por Sarah Elmira Royster tinham nessa altura respectivas idades de quatorze e quinze anos, devido à oposição sobretudo dos pais de Sarah a relação não foi por diante, tendo esta casado com Alexander B. Shelton, um empresário que fez carreira na industria transportadora.
Sabe-se que antes do casamento e mesmo durante Poe teve várias relações com diversas mulheres.É referido o caso de Sarah Helen Whitman e Frances Sargent Osgood ambas tinham interesses literários e escreviam poesia.
Na parte final da sua vida, ele terá pedido inclusivamente a mão de Sarah Helen Whitman em casamento, o enlace não se desenrolou devido à oposição da mãe dela e dos problemas de bebida do escritor.
Poe procurava a todo o custo uma tábua de salvação, sabia que só num lar poderia sobreviver, sabe-se que antes de morrer terá conseguído convencer a sua antiga paixão de infância Sarah Elmira Shelton a marcar casamento. Não deixa de ser curiosa essa situação, pelo que investiguei na biografia dela, ela manteve sempre acesa a lembrança do seu amor de juventude. Alexander B. Shelton o marido dela havia falecido e deixado Sarah viúva, teve no entanto a preocupação de deixar no testamento que ela perderia parte do direito da herança se voltasse a casar novamente. Apesar da oposição dos filhos menores e dos receios a respeito dos boatos sobre os problemas de bebida do escritor, Sarah Shelton concordou com o casamento. Alguns textos escritos por Poe , revelam que Sarah nunca esquecera a paixão de infância e que guarda as mais queridas lembranças e sentimentos afectuosos para com ele, infelizmente devido ás suas fraquezas já anteriormente referidas, ele sente que não estará há altura das expectativas.
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"E, já que nosso tema é Edgar Allan Poe, vamos começar pelo mistério. A 27 de setembro de 1849, após jantar com alguns amigos em Richmond, Poe dirigiu-se ao cais da cidade. Por volta das quatro horas da madrugada, embarcou num navio para Baltimore e, ao que tudo indica, chegou a seu destino no dia seguinte. A viagem havia sido programada para ser bem rápida, pois ele estava de casamento marcado com a senhora Shelton, um antigo amor de juventude. Porém, de sua suposta chegada a Baltimore até o fatídico 7 de Outubro, nada mais se pode afirmar com segurança.
Dizem alguns que ele teria seguido para a Filadélfia e de lá para Nova York, onde planejava buscar uma velha tia para assistir à cerimonia do casamento. Outros afirmam que ele permaneceu a semana inteira em Baltimore e, embriagado, caiu nas mãos de uma quadrilha de falsários, que lhe teriam oferecido algum licor com drogas que colaborasse numa fraude eleitoral. São meras hipóteses. A única coisa certa é que a 3 de outubro o dr.James E. Snodgrass, velho amigo de Poe em Baltimore, recebeu uma carta assinada por um tal Walker, que dizia: "Há um cavalheiro, um tanto descomposto nas vestimentas, na rua Ward Polls, dizendo atender pelo nome Edgar A.Poe, que parece estar muito atormentada e diz ter conhecimento com o senhor, e eu asseguro que ele precisa de assistência urgente".
Poe foi encontrado pelo amigo em estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida, de onde transportaram imediatamente para um hospital. Estava inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando repetidamente por um misterioso "Reynolds", até morrer, na manhã do domingo seguinte. Era 7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores escritores.
O que terá acontecido a Poe naqueles últimos dias de vida ? Por onde terá perambulado ? Teria sido vítima da doença que mais temia e que lhe causava tanta aflição nos outros, a loucura? Um ataque súbito? Ou motivado pela ingestão de álcool e drogas? Sabe-se que, meses antes de sua morte, ele havia voltado a beber e andava a vagar pelos becos da Filadélfia. Foi salvo da prisão e tirado das ruas por amigos fiéis, que o ajudaram a voltar para Richmond. Essa errância, contudo, não foi característica apenas desse período, mas marcou toda a sua vida. Pode-se mesmo dizer que Edgar Allan Poe foi um errante desde o seu nascimento em Boston, a 19 de janeiro de 1809.
Mais ainda: essa vida instável ele herdou de seus pais. David e Elizabeth Poe se conheceram no meio teatral, onde disputavam uma chance como atores. Casaram-se em 1806 e passaram a representar juntos, mas a carreira incerta e de pouco êxito dificultava o sustento dos filhos pequenos, William e Edgar. A situação agravou-se quando David abandonou a mulher doente e grávida da filha Rosalie, que nasceria em 1810. Elizabeth não resistiu à vida miserável que levavam e, abatida por uma doença fatal, morreu no ano seguinte.
Edgar, então com dois anos, foi obrigado por um próspero negociante escocês que, embora casado, não tinha filhos. Nos primeiros anos de convivência com o sr. e a sra. John Allan - sobrenome que viria a adoptar - , o menino teve um ambiente feliz e agradável. Viagens, boas escolas e carinho familiar marcaram essa convivência até aproximadamente seus quinze anos. Mas, por volta de 1824, começaram os primeiros conflitos, motivados pela constante irritabilidade do tutor.
Os problemas financeiros de Allan e a saúde precária da mulher foram os pretextos para os ataques contra Edgar, sempre ressaltando a situação de caridade do menino, que nunca fora oficialmente adoptado. Clima tenso e difícil para um jovem poeta que sonhava com a carreira literária."
(Eliane Robert Moraes)
A morte de Edgar Allan Poe é um acontecimento muito misterioso. Ao longo do tempo surgiram várias teorias. Uma das mais curiosas seria que teria sido o irmão de Sarah quem teria atacado o escritor o qual teria sido embebedado até perder a consciência, tudo com intuitos malévolos de impedir o casamento. Depois factos mal esclarecidos na altura da morte deram azo a múltiplas especulações, a declaração médica emitida a quando do falecimento levantou sempre muitas dúvidas, como seria possível ele ter tantos problemas de saúde?
Enfim.... Mistérios.
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