segunda-feira, setembro 22, 2008

Série 7 Poderosos panfletos políticos de oratória superior - Discurso de Ricardo Esgalha Director Nacional da Policia Judiciária a respeito da nova estratégia de combate ao crime.





(Ricardo Esgalha- Ingressou na Policia Judiciária muito novo ainda. Trabalhou como observador em várias policias no estrangeiro nomeadamente no FBI e Interpol. Chefiou a Directoria do Porto, largos anos. Chegou a trabalhar como assistente no Observatório de Segurança Interna. Nomeado recentemente como Director Nacional da Policia Judiciária, as expectativas são elevadas a respeito da sua prestação.)

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Agentes, membros de autoridade e pessoas de bem:

É com grande satisfação que estou convosco. Sem mais demoras vou apresentar então algumas das novidades a respeito do meu programa para tentar melhorar a orgânica da policia judiciária e conseguir melhores resultados.

Urge ter uma política mais pró-activa no combate ao crime, actuamos muitas vezes por base de denúncias e isso por vezes não é suficiente. Devemos ter uma base de dados actualizada sobre as novas tendências do crime. Existirá uma comissão técnica que compilará informação que futuramente será muito útil, o nosso país é periférico mas uma vantagem é que por isso mesmo podermos antecipar tendências que já aconteceram noutros países.

Casos que tem que ser muito bem investigados são as derrapagens orçamentais das obras públicas, fuga ao fisco de instituições bancárias, donativos privados para partidos politicos, Paraísos fiscais e a ligação estreita com lavagem de dinheiro sujo de tráfico de droga, tráfico de influência ...


Não somos uma sociedade securitária e não podemos monitorizar todos os abusos que ocorrem no sistema mas temos o dever de nos esforçarmos mais para tentar melhorar o estado das coisas.
A nossa missão é melhorar o actual estado das coisas, não devemos procurar desculpas que nos ilibem de um esforço cerrado e digno para provocar a mudança.


Proponho uma ruptura, um combate em tréguas, jogadas ousadas que causarão sérios danos nos pilares desse nauseabundo mundo sujo que é o crime.

Outras propostas minhas são:

Aposta séria nos agentes provocadores; sabendo-se que existem áreas sensíveis onde existe alta probabilidade de negócios obscuros, urge criar um clima de medo e suspeição que leva as pessoas a sentirem que enveredar por este caminho é extremamente perigoso.
Por exemplo: Presidentes executivos de grandes empresas de construção civil devem ser aliciados por agentes provocadores que se fazem passar por elementos da administração pública. Tudo será gravado e filmado e eles terão que ultrapassar esta difícil prova.

Seremos insistentes, pois eu acredito que a prevenção e o clima de medo sobre os prováveis prevaricadores fazem milagres.

Temos que apostar em estratégias de contra-informação e apostar em agentes infiltrados. O pânico deve ser geral, a ponto de ninguém confiar em ninguém, tudo deverá encontrar-se minado para definitivamente o crime não compensar. Não podemos ficar dependentes apenas das denúncias anónimas, quando se descobre a podridão da fruta, já é tarde demais, só resta o lixo.

Proponho que a polícia possa ter a iniciativa em conjugação com os meios de comunicação de criar noticias falsas que fazem parte de uma estratégia de intimidação de potenciais criminosos. Se ao fim de algum tempo não existirem provas para avançar com o processo, deverá ser desmentido a notícia fabricada.

Mesmo quando os suspeitos são levadas a interrogatório, a Judiciária pode em conjugação com o Ministério Público, criar provas fictícias sem valor em tribunal de forma a pressionar o suspeito e levá-lo a cometer erros nos depoimentos e eventualmente vir a confessar a falta.


Deve-se investir em formas de vigilância mais apuradas, desde o uso de micro-câmeras, informação por satélite, detectores GPS incorporados nos suspeitos, infra-vermelhos...

A Judiciária tem que ser equipa com tecnologia de última geração, pois estaremos a investir no futuro. Os laboratórios da polícia cientifica devem ser um exemplo mundial, com o uso das técnicas mais avançadas de investigação criminal. Não deve existir receio de pedir a colaboração das melhores estruturas policiais do mundo (FBI, Scotland-Yard, Interpol...)

Urge aumentar as condições de trabalho, formação e valorização profissional para que a nossa Policia de investigação possa cumprir honradamente o seu trabalho para grande orgulho de todos nós.

Terminado este discurso, só me resta arregaçar as mangas e começar a trabalhar, vamos então a isso!


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