Vingança aleijada

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O orgulho de Raquel Loureiro estava destroçado.
Na reportagem do canal de tv para web "Party Chanel" eram entrevistados vários rapazes e era-lhes perguntado qual a sua modelo preferida. A entrevista era feita na escola secundária de Oliveiros Secos, o apresentador do programa "Murmúrios molhados" mostrava um caderno com as fotografias das seis modelos femininas que tinham contratos com agências, todas elas andavam ao tinham andado naquela escola. A maioria fazia comentários elogiosos, alguns grunhiam, outros faziam piropos, o próprio apresentador parecia querer incentivar o espalhafato hormonal.
Um rapaz ao reparar nas fotografias da Raquel, referiu que a conhecia e esta não tinha atributos intelectuais decentes pois não tinha mais que o 10º ano de escolaridade, alguém tão medíocre e atrasada jamais seria a sua modelo favorita. O nome dele era Pedro Mério.
Raquel estava com as outras colegas a ver uma pré-visualização do programa. As amigas foram solidárias com ela, maldizendo o imbecil frustrado que tinha era desejos recalcados não assumidos.
Ela tentou minimizar a afronta, mas no seu olhar escorria um desejo. Haveria de rastejar a suplicar para não ser espezinhado pela sua indiferença depois de estar bem amarrado a ela, completamente dependente, escravo da sua senhora.
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Uma constante irritação afligia-lhe a pele passava o tempo todo a coçar-se, enormes escoriações cresciam nos braços, tronco e nuca. Sempre que ficava mais tenso e nervoso aumentava a coceira e a auto flagelação. As unhas grandes e sujas arrepelavam-no.
Bebe mais um trago da garrafa de água, sente sempre a mesma sede insaciável. Ontem gastou o resto do "cavalo" a ressaca vai começar a avivar-se em breve. Ainda está no chão a seringa usada e o prato de alumínio.
Brinca com isqueiro quando chega o "Mocas".
"Oh "Fuças" limpa esta merda!!! Parece uma estribaria!!! Fazes a festa de noite e nem puxas o autoclismo!!!!"
Todas as palavras são vãs, ele só ouve as memórias já longínquas de há doze anos atrás. A família sempre lhe dera tudo, o carinho, apoio, nunca se sentira só ao infeliz. Nas aulas era um excelente aluno, dedicado, curioso, desejoso de seguir a universidade e triunfar.
Nesse tempo ele era o verdadeiro Pedro Mério não o farrapo gasto, apodrecido que é agora.
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Raquel Loureiro gemia de ódio. Já passara quase um mês desde que vira a reportagem do canal e sofrera a humilhação acompanhada das amigas, cúmplices de um risinho mal contido.
Ela recordara-se donde tinha visto o infame Pedro Mério, talvez se tivessem cruzado mais vezes mas isso não estava presente na memória dela.
Há uns anos atrás faltara a umas aulas de português e não tinha conseguido apresentar o trabalho sobre Gil Vicente. Tivera que compensar as aulas noutra turma; isto sobre ameaça da professora que a avisara que se não o fizesse iria chumbá-la.
Fase parva de vida dela, onde cometia disparates atrás de disparates.
Apareceu na aula com um ar contrariado.Terá feito um comentário revoltada por a apresentação do trabalho correr mal.
Na altura, estava a começar a carreira de modelo; obrigações da escola prejudicavam o percurso profissional emergente. Nesse período fumava selvaticamente, praguejava sem respeito a ninguém, experimentava as primeiras drogas, discutia constantemente com os pais, conduzia a scooter com a delicadeza de um taxista de esquina, enfim a rebeldia à flor da pele. Talvez influência do namorado da altura ou das amigas mais chegadas como a Ruth Lira ou a Mónica Rilta. Em que belo precipício tombava ela nesses tempos. Não sabia o que esse Pedro Mério pensava dela, se sabia mais alguma coisa, mas a expressão dele ao referir a incultura desta e destacar que ela nem sequer fora capaz de terminar o secundário.

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O orgulho de Raquel Loureiro estava destroçado.
Na reportagem do canal de tv para web "Party Chanel" eram entrevistados vários rapazes e era-lhes perguntado qual a sua modelo preferida. A entrevista era feita na escola secundária de Oliveiros Secos, o apresentador do programa "Murmúrios molhados" mostrava um caderno com as fotografias das seis modelos femininas que tinham contratos com agências, todas elas andavam ao tinham andado naquela escola. A maioria fazia comentários elogiosos, alguns grunhiam, outros faziam piropos, o próprio apresentador parecia querer incentivar o espalhafato hormonal.
Um rapaz ao reparar nas fotografias da Raquel, referiu que a conhecia e esta não tinha atributos intelectuais decentes pois não tinha mais que o 10º ano de escolaridade, alguém tão medíocre e atrasada jamais seria a sua modelo favorita. O nome dele era Pedro Mério.
Raquel estava com as outras colegas a ver uma pré-visualização do programa. As amigas foram solidárias com ela, maldizendo o imbecil frustrado que tinha era desejos recalcados não assumidos.
Ela tentou minimizar a afronta, mas no seu olhar escorria um desejo. Haveria de rastejar a suplicar para não ser espezinhado pela sua indiferença depois de estar bem amarrado a ela, completamente dependente, escravo da sua senhora.
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Estava sentado no chão, sujo, com as mãos a arder, esfoladas de um esforço que já esquecera. No beco isolado tinha o cobertor ainda no chão assim como os restos da comida distribuída pela Cáritas. Há duas semanas que não tomava banho nem vivia numa casa.Uma constante irritação afligia-lhe a pele passava o tempo todo a coçar-se, enormes escoriações cresciam nos braços, tronco e nuca. Sempre que ficava mais tenso e nervoso aumentava a coceira e a auto flagelação. As unhas grandes e sujas arrepelavam-no.
Brinca com isqueiro quando chega o "Mocas".
"Oh "Fuças" limpa esta merda!!! Parece uma estribaria!!! Fazes a festa de noite e nem puxas o autoclismo!!!!"
Todas as palavras são vãs, ele só ouve as memórias já longínquas de há doze anos atrás. A família sempre lhe dera tudo, o carinho, apoio, nunca se sentira só ao infeliz. Nas aulas era um excelente aluno, dedicado, curioso, desejoso de seguir a universidade e triunfar.
Nesse tempo ele era o verdadeiro Pedro Mério não o farrapo gasto, apodrecido que é agora.
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Raquel Loureiro gemia de ódio. Já passara quase um mês desde que vira a reportagem do canal e sofrera a humilhação acompanhada das amigas, cúmplices de um risinho mal contido.
Ela recordara-se donde tinha visto o infame Pedro Mério, talvez se tivessem cruzado mais vezes mas isso não estava presente na memória dela.
Há uns anos atrás faltara a umas aulas de português e não tinha conseguido apresentar o trabalho sobre Gil Vicente. Tivera que compensar as aulas noutra turma; isto sobre ameaça da professora que a avisara que se não o fizesse iria chumbá-la.
Fase parva de vida dela, onde cometia disparates atrás de disparates.
Apareceu na aula com um ar contrariado.Terá feito um comentário revoltada por a apresentação do trabalho correr mal.
Na altura, estava a começar a carreira de modelo; obrigações da escola prejudicavam o percurso profissional emergente. Nesse período fumava selvaticamente, praguejava sem respeito a ninguém, experimentava as primeiras drogas, discutia constantemente com os pais, conduzia a scooter com a delicadeza de um taxista de esquina, enfim a rebeldia à flor da pele. Talvez influência do namorado da altura ou das amigas mais chegadas como a Ruth Lira ou a Mónica Rilta. Em que belo precipício tombava ela nesses tempos. Não sabia o que esse Pedro Mério pensava dela, se sabia mais alguma coisa, mas a expressão dele ao referir a incultura desta e destacar que ela nem sequer fora capaz de terminar o secundário.
Como ousava ele minimiza-la? Quem era ele? Como se atrevia, afinal o que conhecia realmente da vida dela? Ainda não o sabia mas iria descobrir qual o ponto fraco dele. Fosse qual fosse a fraqueza, ela irá ter a sua vingança, existe um pilar de sustentação na vida de cada pessoa e quando este cai, pior que o estrondo, é a ferida.
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