terça-feira, setembro 30, 2008

O banana

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Lídia Gomes tem um rosto esquelético onde a forma do crânio é muito vincada sobretudo na fronte, é magra, estatura média, gosta de andar bem vestida e investe muito dinheiro nisso." Workaholica" compulsiva no trabalho perde as horas envolvida nos seus afazeres profissionais. Senior assistent da agência de comunicação Magalhães Jorge e filhos sente que não possui uma vida sentimental digna e isso retrai-a e deixa-a profundamente desiludida. Com o tempo a caminhar sente a idade a avançar e os sonhos cor de rosa de formar uma família a esvaziarem-se.

Em longas conversas que tem com a sua amiga Cecília Romes o assunto é tratado, ela sugere que Lídia deixe de procurar o mister "perfect" sendo que esta deveria mais preocupar-se em apanhar um "banana" de bom coração que futuramente seria domesticado e formatado. A amiga afirma que sendo a atarefada companheira tão exigente o que ela procura existe apenas na sua imaginação e na verdade basta olhar para o espelho e lá estaria o príncipe fabuloso, o reverso da medalha dela própria. Cecília assegura ser tempo de agir, tem conhecimento da pessoa ideal para a exigente amiga e mesmo o candidato tendo péssimos defeitos e algumas falhas estruturais não há nada que uma boa lavagem com sabão azul e branco não resolva. Como bom carneirinho que é brevemente fica transformado num escravo subalterno que saltita de felicidade quando leva uma festinha, também não se aborrece quando é esbofeteado num momento de cólera pela sua dona e aceita essa realidade com resignamento.

Foi um choque o primeiro encontro, ele era simplesmente horrível, não cumpria as exigências mínimas!!! óculos antiquados, penteado pavoroso onde o cabelo parecia como que colado num estranho "amarrafado", além de começar já notar-se queda de cabelo no topo da nuca. O feitio do queixo era agoniante aquele papo saliente em progressão nada augurava de bom com o aumento da idade. Apesar de magro a barriga era já bem saliente e estando ele sentado isso era ainda mais evidente. O cheiro a perfume de Old Spice era infecto parecia uma doninha fedorenta. O vestuário intratável, antiquado, Lídia era capaz de jurar que ele fazia as suas compras na feira onde comprava a vendedores ciganos material de contrafacção de má qualidade. Apesar de ele ter 38 anos de idade o vestuário obsoleto destacava o seu ar bafiento e fora de tempo. A voz era horrível sem charme nenhum, as conversas sobre banalidades vácuas e nem sequer a articulação das palavras era consistente. Depois ao falar, frequentemente parava para reflectir abrindo imensos buracos de silêncio e baixava a cabeça numa postura de timidez certamente intimidado com o ambiente.

Devido à forte pressão da Cecília, continuou a encontrar-se com ele, a amiga disse para ela começar logo a fazer uma lista das coisas necessárias para alterar o espécime e limpar as toneladas de pó acumulado naquela velharia de séculos passados.

Após treze encontros a pobre vitima ainda tentava arranjar coragem para declarar-se à sua adorada Diana qual sumptuosa deusa da caça que tantas "alegrias" traria. Furiosa Lídia abocanhou um beijo furtivo, completamente contrariada e sem mais demoras comprou o seu escravo privado.

Fernando da Mota estava no céu, a sua atabalhoada vida começava a fazer sentido finalmente, poderia sair da casa dos pais, ia ter uma mulher que ia cuidar dele e estimá-lo.

Há medida que ela ia conhecendo-o melhor percebeu que podia ser mais agressiva, impositiva, brusca inclusive cruel. Forço-o a ir morar na casa dela mas antes de ficar apresentável para poder ser exibido no mundo social das amigas e conhecidos, ele precisaria de um curso intensivo e era pena não haver verba disponível para operações estéticas.

O guarda-fato dele teve que ser renovado completamente, as anteriores roupas foram queimadas, Lídia ficou particularmente exasperada por ter que avançar com dinheiro dela visto parco salário de Fernando não cobrir as avultadas despesas. Ele trabalhava como electricista ajudando o pai que o explorava de forma impiedosa pagando-lhe inclusive um salário menor que a outros empregados.

O electricista foi imediatamente inscrito num ginásio com um plano de trabalhos diário depois teve direito a uma tratamento intensivo numa clínica estética onde recebeu tratamento para depilar os pelos do peito e noutros sítios. Foram recomendados cremes para tratar a pele áspera do rosto. No cabelo a solução foi usar sempre cortes muitos curtos para tentar minimizar o horror existente. Foi inscrito na academia de golfe e ténis do Estoril, teve ainda aulas de etiqueta e domínio vocal.

Teve que comprar um novo carro que correspondesse ao seu novo status, um BMW. Aprendeu a conhecer os melhores restaurantes e outros locais de fruição desejados pela elite. Todas as poupanças dele foram literalmente esvaziadas ao fim de três meses de permanência em casa da sua bondosa capataz. Para compensar a necessidade de novos fluxos financeiros, foi necessário arranjar mais empregos suplementares. Apesar da Lídia pagar muitas das actividades ao seu boneco de estimação, documentava as despesas que teriam que posteriormente ser cobradas.

Em termos sexuais, o electricista era mediano mas isso não satisfazia a gula da Senior assistent que exigia sempre mais e melhor. Pensou ainda em pagar uma injecção de carne mas acabou por contentar-se na oferta de um curso de técnicas sexuais arrojadas onde todos os dias tinha que praticar um novo exercício atlético. Sempre insatisfeita exigia novas correcções e trabalhos de casa. A variedade de locais exóticos e acessórios suplementares nunca era suficiente, a aplicada professora ordenava o impossível aumentando consecutivamente o nível de exigência.

Lídia tinha um caderno onde anotava os progressos do seu pupilo ainda longe do mínimo aceitável, esperava o momento em que a média alcançada permitiria que ele pudesse ser exibido como troféu de guerra.

Todos os dias ao deitar-se depois de cumprir as suas obrigações, tinha que dormir com suporte no pescoço e um fixador na barriga para tentar modelar o corpo, além de ter que usar os vários cremes recomendados pelo centro estético, como isso provocava um certo desconforto e insónia, ele era medicado para dormir.

Fernando denotava uma submissão perdida, sentia na carne a dor encruzilhado num labirinto de exigências provavelmente sem direito a prémio. Todos os dias era rebaixado por não ser o que não era, nem podia ser. Muitas vezes colérica, Lídia já nem hesitava com pontapés ou bofetadas castigava o ursinho de peluche feio, já não eram suficientes os gritos arrebatados em constante choque. Tensões do trabalho, frustrações pessoais, azares, problemas de saúde, mal-estar... tudo ia desaguar num culpado, qual catártico cordeiro vitima do sacrifício em nome da expiação.

Ela gostava que ele acarretasse todas as culpas no seu modo canino submisso. Cabisbaixo ele reconhecia a sua autoridade, alguém que aguentava o que ele aguentava só podia ama-la muito e isso deixava-a muito vaidosa.

Um dia Fernando disse que ia sair à rua para comprar tabaco, estavam já juntos há um ano. Lídia estranhou quando percebeu que alguns bens dele não estavam em casa e faltavam malas, tentou ver se ele estaria com os familiares ao amigos mais próximos. Ninguém sabia onde ele poderia ter ido morar, nenhuma pessoa sabia nada do seu paradeiro. Ela esperava que ele voltasse a surgir mas a verdade é que não teve mais nenhuma noticia dele até hoje.

Ingratidão, cobardia, falácia, fingimento, estupidez, dependência... quando pensava nele ocorria-lhe tudo isso e muito mais. Tanto trabalho e esforço a cuidar do cacto, regando-o, colocando-o ao sol, substituindo inclusive a terra para depois para ele fugir deixando-lhe inclusive os picos espetados na pele como recordação.

Ao fim de alguns meses sem ele começou a perceber como precisava dele, ele era afinal importante para o seu equilíbrio. Sentia saudades da maneira paciente e respeitosa como ele aguentava as suas fúrias e sacrificando-se em nome da sua felicidade. A verdade é que Lídia nunca se tinha sentido tão realizada e se ele tivesse continuado os exercícios poderia vir a tornar-se num Clark Gable glamouroso invejado por todos. Sim agora ao recordar o seu rosto a verdade é que os cremes estavam a fazê-lo mais bonito, a pele estava a ficar mais macia, a argila também provocava muito bons resultados.

Tentava a todo o custo disfarçar o seu sofrimento, como deixara escapar um diamante tão valioso.

Cecília arranjou outro encontro para a sua amiga com outro belo príncipe encantado, disponível para aprender e ser crucificado. Mais gordo, mais tímido, mais feio, mais submissivo, existia ali matéria-prima com potencial. Muitas horas de estudo afincado e treino intenso seriam necessários para transformar o corpo imobilizado enraizado na mediocridade num bólide de sucesso catapultado para voos siderais.
Todo o gozo estava afinal na modelação das formas, da personalidade, na sujeição, na sugestão agressiva de opções, submissão absoluta ao arbítrio iluminado da chefe de família. Quanto mais difícil fosse o processo de educação, mais dificuldades surgissem, maior será o prazer que poderá advir quando os resultados finalmente viessem à tona.

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segunda-feira, setembro 29, 2008

A consultora



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Magda Elias concretizava um sonho antigo, ia ter um programa na televisão sobre moda onde poderia extravasar a sua imensa sabedoria para o bem comum. Ela tinha uma alta percepção acerca do seu apurado sentido de moda. Anos e anos de prática e o auxilio precioso de uma família com dinheiro nos bolsos, permitiram a Magda crescer na sua arte.

Era um pavor andar nas ruas da cidade e assistir aquelas aberrações distorcidas e histriónicas que alegremente passeavam na via pública poluindo a atmosfera visual de forma irreversível. Doía ver aquele mau gosto encavalitado em equívocos, erros imperdoáveis na combinação cromática, peças de roupa proscritas, penteados vitimas fáceis de enxovalho, sapatos calamitosos que sendo horríveis como eram, mais valia sumirem dali para fora e as vítimas andarem descalças.

Oh repulsa! O analfabetismo na arte de trajar não justifica tudo, certos seres humanos mercê do facto de não terem sido alimentados com os petiscos nutritivos da alta costura e das revistas da moda, ignoram as maravilhas e continuam aprisionados no seu subdesenvolvimento, quais quadrúpedes ençaimados na sua selvajaria.

O dinheiro não justifica tudo, anda por aí muita cópia baratinha que longe de sustentar uma alma exigente dá muitas alegrias aos pobretanas deste mundo. Ela estava disponível para educar as massas, lá teria que fechar os olhos e sujar as mãozinhas mas a caridade é mesmo assim. A lixívia existe para limpar; se os grandes do mundo se acomodam num atavismo molenga depois não se queixem de ser chamados de inúteis.

A Grande Educadora da Moda estava pronta para a sua missão, a classe proletária foleira que se preparasse, pirosices e outras demais tinham guia de marcha, doravante toca outra banda.


A professorinha preparava as suas aulas afincadamente com método e com o guião perfeito. Debitava palavras e palavras, tinha na retaguarda a equipa técnica com consultores e também a nível de pós-produção. Imagens, vídeos , todos os recursos eram válidos para admoestar o povão ignorante, a mensagem tem que passar com maiúsculas.

A reacção não tardou, uma cuspidela valente meses depois, mostrava bem o desprezo dos pequenos. A imprensa sempre pronta a encontrar espantalhos viu na bem-intencionada senhora uma cruzada moralista, calhou-lhe pois a fava. Os defeitos foram esmiuçados ao milímetro, as qualidades ficaram ausentes, lá tínhamos mostrengo, a troça não se fez esperar.

Os tiques arrogantes foram assumidos, daí se viu prepotência escancarada de muito mau tom. Os comediantes, opinadores, figuras públicas censuraram a ditadora totalitária que criava uma pavorosa jaula que mais se parecia com um espartilho caduco. As suas teses eram bem fundamentadas, mas fará sentido um tal grau de precisão? Vestir um trajo é um tratado de Física? A combinação das cores tem que obedecer a 600 regras desde que essas não colidam com outras 320 e claro existem sempre excepções, o que ainda confunde mais.

Cores, tecidos, marcas, tendências, contexto, relativização relativa... muita confusão, a plebe começava a esquentar a cuca. O que era um prazer assemelhava-se agora mais a um colete de forças armadilhado com explosivos, para quem seguisse as suas delirantes instruções.

O programa acabou por ser cancelado, ela falhou. Não só não domesticou o mundo, como ainda por cima os desgostos azedarem-lhe a alma, a sua imensa sabedoria não mais seria partilhada por ineptos ignorantes. Eles que ficassem no seu canto à mercê do bolor, conspurcados com os seus trapos horríveis, parados na sua fealdade torpe. Fugiram da sua sabedoria, pois bem apodreçam! Ralé que se banha num esgoto de excrementos a que chamam vulgaridade, só merece um destino; Morrer de difteria!

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quarta-feira, setembro 24, 2008

Adiar é lamentar

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Estou triste morreu o meu amigo Valério Rillo. Ainda recordo as suas feições tinha um nariz aquilino, a barba fraca e imberbe que parecia um encrostar de pelos, os olhos eram ébanos onde frequentemente faiscava entusiasmo. De altura média, muitas vezes inclinava a cabeça num estranho jeito como se fosse corcunda, causava uma certa impressão tal comportamento. Parecia que humildemente estava sujeito a todos e prestava a esses mesmos vassalagem.


Sinto que não lhe disse muita coisa que gostava de dizer e por isso afunda-se uma profunda tristeza no meu âmago.
Lamento muito não ter sido melhor amigo, mais dedicado e justo pois ele merecia-o, para comigo o comportamento dele foi sempre exemplar. Suponho que por vezes ficava aborrecido com as suas atitudes passivas e resolvia afastar-me, de forma discreta claro para não ferir sensibilidades. Era apesar de tudo uma retirada e agora depois desta desgraça, só o posso lamentar.

Foi alguém apegado aos valores da amizade, um verdadeiro companheiro de armas, de modo algum foi um interesseiro, pelo contrário altruísta e dedicado. Sabia que tinha problemas e os esforços que empreendi foram parcos, tinha consciência que era necessário fazer mais, acabei por desistir e sendo eu o melhor amigo tinha uma óbvia obrigação de fazer mais e melhor.

Como mudei de casa, depois do casamento, tudo ficou mais longe. As desculpas eram mais fáceis, e acaba por ser mais simples não pensar nas preocupações não olhando directamente para elas. A culpa e preocupação perseguiam-me por vezes, mas a rotina dos dias entretém-nos e descartamo-nos da nossa responsabilidade, atarefados com o guião de todos os dias.

As noticias circulavam, mas a ausência de contacto pessoal torna-nos mais indiferentes, a distância avança e com o tempo esquecemos. Na nossa inconstância, não medimos o valor de quem merece, talvez por não reflectirmos devidamente sobre a nossa existência. Mergulhasse eu a sério nas minhas memórias e anotaria quem esteve sempre nos momentos que foi chamado, cumprindo com valor o contrato informal da lealdade. Quando conversávamos sobre ele, eu e a minha mulher divergíamos, não o defendia como ele merecia, ela achava-o um intratável, um parasita. Ia fazendo o seu percurso a nova teoria do amigo desvalorizado, mas eu devia ter-me imposto e olhar para lá da teia, só eu sabia o valor, nas minhas lembranças existia um activo que nunca deveria depreciar por circunstâncias ilusórias.

Todos o abandonaram e ele caiu, a lama já existia há muito, sempre que ele aparecia deixava um rasto. Mesmo quando tentava fingir que estava mais forte, não eram só as pernas que fraquejavam, a respiração em esforço dizia muito.

Agora que estou com outros mais a velar o morto na Igreja, não consigo evitar a culpa pois ela é por demais evidente. A minha mulher mantém uma distância prudente, também ela se censura a si própria e sabe que a parte da minha culpa mais cedo mais tarde será projectada em ricochete para as costas dela. Os hipócritas, rapidamente arranjam bodes expiatórios para melhor distribuir o peso da consciência. Logo eu que lido tão mal com esta grilheta, agora que o mal foi feito só posso lastimar-me, resta-me pois tentar encontrar forças para superar este embate. Hã-de passar os meus lamentos, saiba eu crescer e compreender que esconder a sujidade por debaixo de um tapete apenas leva a que um dia tropece no monte que este esconde.


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segunda-feira, setembro 22, 2008

Série 7 Poderosos panfletos políticos de oratória superior - Discurso de Ricardo Esgalha Director Nacional da Policia Judiciária a respeito da nova estratégia de combate ao crime.





(Ricardo Esgalha- Ingressou na Policia Judiciária muito novo ainda. Trabalhou como observador em várias policias no estrangeiro nomeadamente no FBI e Interpol. Chefiou a Directoria do Porto, largos anos. Chegou a trabalhar como assistente no Observatório de Segurança Interna. Nomeado recentemente como Director Nacional da Policia Judiciária, as expectativas são elevadas a respeito da sua prestação.)

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Agentes, membros de autoridade e pessoas de bem:

É com grande satisfação que estou convosco. Sem mais demoras vou apresentar então algumas das novidades a respeito do meu programa para tentar melhorar a orgânica da policia judiciária e conseguir melhores resultados.

Urge ter uma política mais pró-activa no combate ao crime, actuamos muitas vezes por base de denúncias e isso por vezes não é suficiente. Devemos ter uma base de dados actualizada sobre as novas tendências do crime. Existirá uma comissão técnica que compilará informação que futuramente será muito útil, o nosso país é periférico mas uma vantagem é que por isso mesmo podermos antecipar tendências que já aconteceram noutros países.

Casos que tem que ser muito bem investigados são as derrapagens orçamentais das obras públicas, fuga ao fisco de instituições bancárias, donativos privados para partidos politicos, Paraísos fiscais e a ligação estreita com lavagem de dinheiro sujo de tráfico de droga, tráfico de influência ...


Não somos uma sociedade securitária e não podemos monitorizar todos os abusos que ocorrem no sistema mas temos o dever de nos esforçarmos mais para tentar melhorar o estado das coisas.
A nossa missão é melhorar o actual estado das coisas, não devemos procurar desculpas que nos ilibem de um esforço cerrado e digno para provocar a mudança.


Proponho uma ruptura, um combate em tréguas, jogadas ousadas que causarão sérios danos nos pilares desse nauseabundo mundo sujo que é o crime.

Outras propostas minhas são:

Aposta séria nos agentes provocadores; sabendo-se que existem áreas sensíveis onde existe alta probabilidade de negócios obscuros, urge criar um clima de medo e suspeição que leva as pessoas a sentirem que enveredar por este caminho é extremamente perigoso.
Por exemplo: Presidentes executivos de grandes empresas de construção civil devem ser aliciados por agentes provocadores que se fazem passar por elementos da administração pública. Tudo será gravado e filmado e eles terão que ultrapassar esta difícil prova.

Seremos insistentes, pois eu acredito que a prevenção e o clima de medo sobre os prováveis prevaricadores fazem milagres.

Temos que apostar em estratégias de contra-informação e apostar em agentes infiltrados. O pânico deve ser geral, a ponto de ninguém confiar em ninguém, tudo deverá encontrar-se minado para definitivamente o crime não compensar. Não podemos ficar dependentes apenas das denúncias anónimas, quando se descobre a podridão da fruta, já é tarde demais, só resta o lixo.

Proponho que a polícia possa ter a iniciativa em conjugação com os meios de comunicação de criar noticias falsas que fazem parte de uma estratégia de intimidação de potenciais criminosos. Se ao fim de algum tempo não existirem provas para avançar com o processo, deverá ser desmentido a notícia fabricada.

Mesmo quando os suspeitos são levadas a interrogatório, a Judiciária pode em conjugação com o Ministério Público, criar provas fictícias sem valor em tribunal de forma a pressionar o suspeito e levá-lo a cometer erros nos depoimentos e eventualmente vir a confessar a falta.


Deve-se investir em formas de vigilância mais apuradas, desde o uso de micro-câmeras, informação por satélite, detectores GPS incorporados nos suspeitos, infra-vermelhos...

A Judiciária tem que ser equipa com tecnologia de última geração, pois estaremos a investir no futuro. Os laboratórios da polícia cientifica devem ser um exemplo mundial, com o uso das técnicas mais avançadas de investigação criminal. Não deve existir receio de pedir a colaboração das melhores estruturas policiais do mundo (FBI, Scotland-Yard, Interpol...)

Urge aumentar as condições de trabalho, formação e valorização profissional para que a nossa Policia de investigação possa cumprir honradamente o seu trabalho para grande orgulho de todos nós.

Terminado este discurso, só me resta arregaçar as mangas e começar a trabalhar, vamos então a isso!


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Série 7 Poderosos panfletos políticos de oratória superior - Discurso de Teixeira Virilaus Bastonário da Ordem dos Médicos sobre o seu plano diabólico para dominar o país e expandir a influência da corporação para dimensões nunca vistas.





(Teixeira Virilaus- Médico formado na faculdade de medicina da universidade de Coimbra, especializou-se em Obstetrícia, dono conjuntamente com outros sócios de várias instituições ligadas ao mundo da medicina.Tem participações no laboratório de análises clínicas Verboton Lab, três consultórios de medicina, alguns laboratórios da industria farmacêutica. É director de obstetrícia no Hospital Pulido Valente. Participa também no grupo consultivo da Direcção-Geral de Saúde de Lisboa. Ganhou as eleições para Bastonário da ordem dos Médicos e preside actualmente à instituição.)

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Carissimos colegas da corporação:

É com grande honra que me dirijo a vós. Lamento que tenhamos que estar nesta pequena cave escura mas compreendem certamente que dado o secretismo das nossas actividades, era necessário estarmos num local discreto. Chamei-vos a vocês, visto serem a elite da nossa prestigiada corporação que tanto honra o nosso país. São designados como o "clube da barriga cheia", cabe-vos a vocês especialmente a imensa honra de lutarem na sombra pelos nossos privilégios, direitos para mantermos o nosso estatuto e se possível alargarmos ainda mais o nosso poder. Quem quer que ouse afrontar a nossa soberania e direitos naturais deverá sentir a mão pesada, castigos atrozes e perceber de uma vez por todas que Portugal é uma coutada nossa e ninguém manda em nós.

Admite-se que tenhamos que pagar impostos? Nós que salvamos vidas? O Estado não nos respeita! Nós juramos proteger a vida humana, o Estado jurou atrapalhar-nos a vida! Defendo que a nossa classe deve ser isentada de impostos, nós não podemos perder tempo com coisas quezilentas, damos tudo por tudo para salvar vidas e ainda temos que contar tostões? Não há direito! Abusam de nós!

Já bastou o ultraje de abrirem novas faculdades de medicina! Por amor de Deus!! Nunca deveríamos ter permitido tal brincadeira! Formar um médico não é formar um padeiro! Temos que ser poucos para sermos bons. Não venham dizer que dizemos isto por interesse! Nós! Tanta tolice, preocupamo-nos com a saúde dos cidadãos e bem estar, em troca recebemos desconfianças e maledicência.

Proponho que deveremos fazer o que for possível para aumentar as médias de acesso às faculdade de medicina, reduzir o número de alunos por turma, proibir expressamente licenciaturas de alunos portugueses em faculdades de medicina de países estrangeiros, aumentar os anos de duração de uma licenciatura em medicina assim como o período de estágio. Jamais permitir que existam equivalências de indivíduos estrangeiros que fingem que tem cursos de medicina. Cursos de medicina a sério, só em Portugal!!! Para nós o que é nosso, para eles o que é deles!!!

Depois o Ministério da Saúde avança com propostas para tentar separar os médicos que estão no serviço público e privado, tentando impor um regime de exclusividade no sistema público. Com os salários de miséria que nos pagam esperam o quê? Vamos apodrecer no mesmo sitio e deixar as nossas famílias morrerem de fome.

Os médicos tem o direito à livre iniciativa, se quiserem criar laboratórios, consultórios, hospitais privados, gabinetes de aconselhamento e usarem os conhecimentos e contactos que tem no serviço nacional de saúde qual é o problema? Já basta esses serviços privados serem caros e termos uma clientela tão diminuta. A culpa é do Estado que não nos subsidia nem nos isenta de impostos. Acham justo que a industria do bem esteja escravizada com obrigações imorais. Nós salvamos vidas, tornamos o mundo um local mais bonito, queremos que o ser humano seja feliz e que tenha saúde, em troca só tem que nos encher o bolso e levantar poucas questões. Será que é tão difícil perceber o segredo do sucesso?

Se as nossas exigências não forem aceites, avançaremos para uma greve geral, vamos paralisar o país e nesse momento verão a nossa força e como somos importantes. Tudo vai parar! Inclusive as urgências se tiverem que morrer inocentes que precisavam de transplantes, operações cirúrgicas, reanimações... Azar! respeitassem-nos! Estamos fartos que gozem connosco!

Quero avisar que a ordem irá dificultar ao máximo os médicos estrangeiros que ousem entrar no nosso feudo, os cursos só serão reconhecidos após atrozes sofrimentos, difíceis testes e fiscalização cerrada. Portugal é o nosso El Dourado demoramos décadas a cria-lo e ninguém nos vai roubar! Já é pavoroso que exista equiparação automática para pretensos médicos provenientes da União Europeia, não fossem os milhões dos fundos comunitários e haviam de ver se esses senhores punham cá o pé. Usurpadores!!!

Falam ainda que nas regiões do interior existe falta de médicos. Por amor de Deus nós temos é velhos a mais, acham justo que pessoas que dedicaram anos à medicina tenham que se deslocar para regiões inóspitas sem civilização? O Estado que crie um sistema de transportes eficaz e subsidiado para que todos possam rapidamente deslocar-se para hospitais de médicos geridos por médicos com qualidade médica, aposto que assim não iam dizer que havia falta de médicos, existe é má organização e distribuição.

Depois fala-se que os gestores hospitalares podem não ser médicos?!!!! Mas o que anda esta gente a pensar!!! Só nós temos sensibilidade para tratar de doentes, só nós sabemos as suas necessidades!!! Não permitiremos que tecnocratas nojentos tentem controlar aspectos como assiduidade, produtividade, controle de custos. Com a saúde não se brinca!!! Um acto médico não é plantar batatas! Os horários não podem restringir-nos é uma actividade complexa que exige muita concentração e muita responsabilidade, não podemos brincar com a vida das pessoas. tem que haver respeito por nós e por eles! Não podemos perder tempo a fazer coisas tão estúpidas e inúteis como marcar ponto todos os dias e fazer relatórios sobre os serviços prestados. Trabalho burocrático que nos rouba tempo vital para processos médicos prioritários. Produtividade??? Querem o quê que uma equipa de médicos opere dezenas de pessoas por dia, por amor de Deus, nós temos que ter a nossa vida pessoal e os nossos negócios. Operar é uma ciência artesanal imperfeita que deve ser feita com calma e paciência não uma produção industrial acelerada e selvagem.

Querem que nós receitemos à força medicamentos genéricos para haver contenção de custos no serviço nacional de saúde. Só a consciência de cada médico pode decidir o que acha que é melhor muitos deles vão a congressos pagos pela industria farmacêutica e tem oportunidade de analisar de forma imparcial e descomprometida quais os melhores produtos do mercado e os mais eficazes.

Muitos tem o desplante de acusar que a ordem protege os médicos que cometem erros médicos. Um médico esteja bêbado, drogado ou desequilibrado pensa sempre no bem dos seus doentes o seu juízo é sempre honesto e puro se as coisas falham a culpa não é dele é simplesmente do Estado, dos contabilistas, dos doentes, falta de condições das instalações e equipamento. Temos que reconhecer os erros podem ocorrer mas nunca são propositados são simplesmente acasos que acontecem. Acho que na Constituição deveria haver um artigo que proíbe que possam ser movidos processos criminais contra negligencia ou erros médicos. Nós enquanto profissionais temos que ser independentes e não carregar um stress desnecessário que afecta a nossa qualidade de vida e pode inclusive danificar a excelência do nosso trabalho devido a uma pressão dispensável e injusta.

Os médicos são hoje uma profissão prestigiada que muito dignifica o país, tudo o que conseguíram fizeram-no por mérito. A nossa corporação fará tudo o que for possível para não perdermos o nosso Status Quo, actuaremos na sombra mas eficazmente, ninguém brinca connosco impunemente. Na próxima reunião afinaremos novas estratégias de resistência.

Desde logo posso avançar com algumas novidades explosivas:

-Não reconheceremos ninguém da equipa do ministério da saúde que não tenha um diploma em medicina. Ratazanas inferiores ficam nos esgotos, Deuses predestinados no Olimpo dos justos.

-Tentar impor ao poder politico regalias de direito divino que são nossas por direito como: Subsidio de habitação, subsidio de combustível, direito a reforma aos 40 anos, possibilidade de familiares poderem entrar directamente nas faculdades de medicina em regime de excepção, serviços da ADSE disponíveis para todos os médicos do país mesmo os que nunca fizeram descontos, despesas dos congressos médicos são reembolsáveis no IRS com oferta de bónus extra por existirmos enquanto seres superiores.

-Direito de um médico se não gostar do doente por este ser antipático ou dar muitos problemas poder assassiná-lo e não ser importunado juridicamente.

-Direito que um médico que trabalhe no serviço nacional de saúde poder cobrar taxas particulares suplementares aos doentes consoante as suas necessidades financeiras e a sua vontade.

-Direito a que os médicos possam usar sirene na sua viatura particular e assim deixem de respeitar as regras de trânsito seja por motivo de força maior ou não.

-Direito a não respeitar filas de espera respeitantes a serviços públicos e excepcionalmente poder ser automaticamente atendido seja porque motivo for.

-Direito que os médicos não tenham avaliação obrigatória e recebam automaticamente nota máxima com o respectivo aumento salarial.

São justas reivindicações e nós merecemos isso e muito mais.

Uma santa saúde e até breve.

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quinta-feira, setembro 18, 2008

Série 7 Poderosos panfletos políticos de oratória superior - Discurso de Mohamed Sobreiro dos Cantos a respeito da independência da república da margem sul do Tejo contra a vontade opressora da escumalha lusitana.






(Mohamed Sobreiro dos Cantos- Ex-electricista que chefia o ELMST (Exército de libertação da margem sul do Tejo), especialista em terrorismo, contra-terrorismo, guerra não convencional, infiltração lateral, guerrilha improvisada, sabotagem e subversão.)

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Caros Margem-Sulenses machos e Margem-Sulenses fêmeas:

É com grande satisfação que estou convosco. O meu coração arde de alegria de vos ver , pudesse eu abraçar-vos a todos e falo-ia sem hesitar. Amo-vos Povo!!! Vocês são tudo para mim!!

Muitos julgaram que este momento nunca ocorreria, pensaram que era impossível no entanto hoje, agora, tudo é real nós construímos o nosso sonho e ele existe.

A opressão da máfia centralista alfacinha não poderia durar para sempre. O desprezo com que nos tratavam, a maneira como nos pisavam, o ódio que expeliam contra nós. Tudo foi mau de mais para ser verdade, mas esses tempos existiram, como pudemos ser tão tolos? Como permitimos tal afronta?

Ainda hoje ouço as palavras do ministro Mário Lino " No deserto, jamais". No deserto!!!! Arrrrhhhaahahahahggg!!!!.... no deserto?...Nós!!!! Aquele anormal deve ter cinco dioptrias e três cataratas no mínimo.

Agora reflectindo bem, acabou por ser benéfico aquelas palavras terem sido proferidas, soltou-se a máscara e vieram à superfície as correntes que aço que nos acorrentavam, estas estavam disfarçadas com hera de treta superficial, quando vimos o aço brilhar compreendemos a nossa ingenuidade.

(blá, blá, blá...) .......


Delicioso aquele momento em que o fogo alastrou no Terreiro do Paço e os corpos carbonizados amontoavam-se às centenas. Todos foram culpados do mal que nos fizeram! Nós não somos escravos de ninguém!!!

Explodimos com o metro que eles construíram com o saque dos nossos impostos, morreram alguns civis inocentes, danos colaterais difíceis de prever, mas as boas causas tem todas as justificações. Lamentamos mas os cúmplices também tem que sofrer.

Eles tinham a ilusão que iam ganhar a guerra, foi só a ilusão pois os nossos homens e mulheres deram tudo por tudo, morreram centenas de pessoas das nossas fileiras que foram usados como carne para canhão mas acabou por valer a pena afinal todos meios justificam que esta justa causa triunfe.


(blá, blá, blá...) .......


A capital desta emergente e resplandecente república será a cidade do Barreiro é justo que assim seja. Primeiramente porque é a cidade onde eu nasci e parece-me bem que a capital do novo estado seja o meu berço, visto eu ser o espantoso líder que vos conduziu, mereço pois um prémio.
Já imagino a ascensão da nossa capital, farol que nos iluminará na nossa certamente bem sucedida caminhada.

A construção do nosso parlamento está já no bom caminho e foi até já escolhido o nome: Assembleia popular democrática e Justa da República Mohamédiana... perdão da Margem Sul. O Sempre Justo Supremo Tribunal de Justiça Margem-Sulense e o Imperial Palácio executivo do Pai da Nação estão em acelerada construção. Todas estas construções serão executadas no antigo parque da Quimigal que será todo arrasado, esse espaço honrado que vai emergir será designado como área governamental Mohamediana, uma homenagem que o Povo fez em minha honra e que me deixa muito alegre. Foi feito um referendo informal onde as pessoas levantavam o braço em concordância, o resultado unanimista foi uma agradável surpresa, algumas vozes mal intencionadas disseram que o facto de o exercito ter feito a contagem armado intimidou a população e teve influência nos resultados. É preciso ser cínico e canalha para ter tais imundos pensamentos!

O arquitecto convidado que irá projectar tal quimérica construção é o muito prestigiado arquitecto Tomás Taveira, bem sei que lhe corre sangue inundo lusitano mas roubemos sem escrúpulos os talentos dos nossos vizinhos usurpadores, ele construirá uma nova Brasília que nos irá orgulhar e que o mundo admirará.

Desconfio que a vida não nos vai correr tão bem futuramente, apesar do acordo de cessar fogo ainda é necessário que a comunidade internacional reconheça a nossa auto-determinação e sejamos um país firmado no direito internacional.

Para isso será necessário pagar o imposto extraordinário da independência, 500 euros por mês não é nada comparado com a nossa triunfante e justa liberdade. Alguns patifes atacaram o meu bom nome dizendo que o ELMEST usa o dinheiro arrecadado em impostos para bens pessoais. Afirmo peremptoriamente que isso é falso!!! Adquiri recentemente uma vivenda de luxo, vários barcos, um helicóptero, um balão de ar quente, vários produtos de electrónica topo de gama mas atenção isso foi necessário para manter o prestigio e bom nome das instituições. Afinal penso que ninguém quer que a 1º figura do Estado seja um pedinte, é o nosso bom nome que está em jogo na arena internacional.

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Depois temos imensos traidores, "baratas" que trocaram o nosso projecto glorioso de autodeterminação pela falácia, venderam-se aos euros dos nojentos alfacinhas. Judas!!!Judas!!! Eles serão exterminados, iremos fazer um auto de fé e serão queimados vivos todos os animais imorais que prostituíram a alma em troca do vil metal.

Apelo a todos se virem traidores não hesitem! Avisem as autoridades! Sejam filhos, pais, primos, padrinhos, avós, patrões, sindicalistas, médicos, policias. Todos tem que compreender que o crime não compensa. Todos os olhos, ouvidos, narizes devem estar em alerta, só unidos venceremos as ervas daninhas.

Falta construir tanta coisa neste novo país: Aeroportos, supermercados para os pobres, um Corte inglés para mim, mais centros comerciais, rotundas inúteis, rede de metro decente, parques de estacionamento, fábricas....

Infelizmente teremos que esperar mais um bocadinho, o cerco pavoroso e as sanções internacionais estão a destruir a nossa economia, basicamente estamos a cair a pique de modo que os nossos sonhos mais comodistas terão que esperar.

A solução será fazer uma guerra de pilhagem aos nossos antigos senhores, qual escravos espoliados vamos reclamar a nossa reforma agrária e justa indemnização.
Em raides furtivos iremos roubar do outro lado do rio tudo o que tenha valor desde: ouro, prata, pechisbeque, dinheiro, acções. Não hesitaremos em ter reféns e escudos humanos, iremos roubar carros, carrinhas de valor, pedras da calçada, bancos... Se não tomarmos estas providencias nunca poderemos singrar e a nossa nação nunca irá florescer isso não pode acontecer e não irá acontecer! A alternativa será pagar mais impostos e tributos e isso penso que ninguém quer!

Muitos tem implorado que tem amigos, familiares e conhecidos do outro lado e gostariam de restabelecer os contactos e ligações. Escutem! Tínhamos que escolher um lado, quem escolheu, escolheu!!! Doravante existem amigos e inimigos e quem está do outro lado seja: Pai, mãe, afilhado, padrinho, sobrinho, avô é simplesmente uma escumalha que merece ser carbonizada. Não pode haver cedência, só quem está deste lado é bom do outro lado está o Eixo do Mal.

Alguns tem reclamado que não pode haver censura nos meios de comunicação social. Por amor de Deus estamos numa guerra!! Este cessar fogo é apenas aparência, os nossos inimigos mexem-se em arrojadas operações onde tentam dominar os meios de comunicação social para vincular ideias perversas e sujas que querem destruir o ânimo de guerra e levar-vos a desistir do vosso sonho. Nós não permitiremos!!! O caminho é claro e simples, queremos ser independentes e nada nos pode deter custe o que custar!!!

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Acredito no nosso destino, ainda seremos o país mais próspero da Europa libertos das nossas amarras nada nos irá deter. Todas as empresas de alta tecnologia, a alta finança, centros de novas tecnologias, grandes academias e um ensino de luxo irão nascer e florescer como cogumelos no nosso cantinho. É simples sem amarras, sem prisões, sem ordens o homem e mulher Margem-Sulense liberta o seu talento natural e vem ao de cima a sua imensa classe. Acreditem em menos de uma década seremos o Japão da Europa, creio em nós, sei que somos capazes, está tudo no nosso destino.

Os nossos vizinhos vão ficar verdes de inveja, o nosso sucesso será uma chapada de luva branca naquele miserável despeito e arrogância. Nascemos para ser grandes e iremos crescer tanto que este país será pequeno para o nosso desígnio.

Enquanto eles apodrecem loucos de ciumes em pleno curto-circuito nós florescemos esbeltos e robustos. No fim no pódio generosamente daremos onerosas ajudas financeiras para que acabe a fome, corrupção, destruição nos campos queimados dos nossos vizinhos tresmalhados. Isso provará a nossa superioridade e sabedoria, estaremos no Olimpo do destino e seremos a nação mais honrada e afamada do mundo, todos os países quererão ser como nós e seguir os nossos passos.


Falta pouco tempo para esses momentos, fechem os olhos e saboreiam, isto irá acontecer tão certo como eu me chamar
Mohamed Sobreiro dos Cantos, bem por acaso o meu primeiro nome não é Mohamed é Carlos mas todos me conhecem por esta alcunha.... enfim... acho que perceberam o que eu queria dizer.... Hã...aaa....


Saudações Margem-Sulenses para todos os que acreditam no sonho, o nosso sonho. Nunca deixem de acreditar nele.


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segunda-feira, setembro 15, 2008

A Arena





Frederico está sentado diante de Daniel, ambos são alunos do 7º ano de escolaridade, frequentam a mesma escola do 2º e 3º ciclo.

Daniel é o valentão da turma, gosta de atormentar os mais fracos e fazer valer assim a sua autoridade e ascendente sobre os outros. Sente um prazer delicioso quando a sua vontade torce os infelizes papalvos que caem no seu jugo.

É com júbilo sincero que obriga as suas vitimas a baixarem a cabeça em vassalagem enquanto trinca a orelha esquerda em seguida dá um carinhoso calduço acompanhado de um bom abanão e som estridente.

Depois faz o seu juízo aprovador ao reprovador. " Muito bem "Macaquinho de água doce"! Tens-te portado bem" ou então "A brincar! O menino "Castelito Branco" tem-se portado mal! Vou ter que lhe arrancar a orelha!! Ah!!! Ah!!!"

Gosta também de dar beliscões com força nas costas. Se a vitima ousa desrespeitar a sua glória e tem o desplante de virar-se em protesto, um valente soco no nariz receberá como resposta.

Os caloiros iniciados devem perceber quem é o alfa deste mundo. Os tótós estragados muita porrada irão apanhar para arrebitar e o gozo da malta levantar. As miúdas essas estarão sempre a babar-se pelo portentoso suserano, esse espantoso caramelo com brinde.

Momentos nutritivos têm aqueles, as vitimas abaixadas vêm a sua auto-estima achincalhada e esperam o julgamento de tão avisado magistrado. Aquela sensação de temor! Terem que olhar para a parede, enquanto o Valentão de Alpiarça e os seus amigos troçam num gozo bem temperado.

Daniel tem a muito honrosa alcunha de "Godzilla"; sim sente-se satisfeito; fecha os olhos e vê o que o aguarda: balões de água a explodirem na cara de inocentes, frangalhotes arremessados na lama, espertalhões armados em sabichões nas aulas apanharem com estilhaços de maledicência e mau agoiro, auxiliares de educação a serem empurradas nos corredores, professores espancados num sufoco de caos, cacofonia e inferno.

Agora aquela besta do Frederico o "cacas" deve ter feito uma delação na direcção do conselho executivo da escola. Os dois estão sentados enquanto esperam que chegue a professora Cristina a quem as tribos de forma ternurosa chamam "Moca velha".

Daniel vai sentir muita satisfação quando chegar o momento da punição. Já imagina a cena na sua mente delirante. O "Cacas" bem amarrado numa cadeira a tremer de pavor, completamente nu enquanto uma assistência de colegas da escola assiste a tudo. Embriagados de gozo riem-se a bom rir. Depois é sistematicamente chicoteado sobretudo na cara, mas nenhuma parte do corpo é poupada. Sim é um rosto contorcido, esgazeado num grito lancinante afogado em dor que não pára nem vai parar; sem nada.

Vivêssemos à séculos atrás e isso aconteceria, bem merecido era. Estúpida sociedade que tenta abolir formas de violência selvagem, os "fortes" existem, tentam amordaça-los nessa rede monocromática e formatada mas eles existem para "comer" e com isso emergir na glória da vitória dos que dominam e são chefes por direito.

Frederico está espantosamente calmo, tem os braços cruzados olha fixamente o chão, mas não parece manifestar receio das consequências futuras.

A vida dele tem sido um inferno desde que o ano escolar começou , agora que falta pouco tempo para as férias e notas finais, parece ser o fim da sua pena de prisão.

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- O bullying é um fenómeno muito frequente nas escolas. Violência física e psicológica de forma insistente para intimidar e agredir.

-Pensas que é só nos estabelecimentos de ensino e passa-se sobretudo com os mais jovens?
Mostro-te vários exemplos de outras situações.

Trabalho- Uma empregada tenta intimidar outra, lançando boatos tentando virar o grupo contra ela, o objectivo será que ela peça a demissão e saia do local de trabalho.

Vizinhança- O caso de vizinhos desavindos
através de intimidação por comportamento inconveniente, tais como barulho excessivo para perturbar o sono e os padrões de vida normais ou fazer queixa às autoridades por incidentes menores ou forjados. O propósito desta forma de comportamento é fazer com que a vítima fique tão desconfortável que acabe por se mudar da propriedade.

Militar- Em alguns países, rituais humilhantes entre os recrutas têm sido tolerados e mesmo exaltados como um "rito de passagem" que constrói o carácter e a resistência; enquanto em outros, o bullying sistemático dos postos inferiores, jovens ou recrutas mais fracos pode na verdade ser encorajado pela política militar, seja tacitamente ou abertamente . Também, as forças armadas russas geralmente fazem com que candidatos mais velhos ou mais experientes abusem - com socos e pontapés - dos soldados mais fracos e menos experientes.

Neste universo espera-se que os soldados estejam preparados para arriscarem as suas vidas, e tudo deve ser feito para fortalecer o carácter e a capacidade de resistência.

Politico- Determinados países tentam intimidar outros, seja através da ameaça da força militar, sanções económicas, recusa de ajuda ou doações.

Cyberbulling- Uso das tecnologias da informação para intimidar e amedrontar a vitima através da publicação de fotos e informações falsas em páginas de Internet.

Etc,etc....

- Ui! Estás a exagerar! É uma conspiração mafiosa que domina o mundo.

- Certamente já viste documentários na televisão sobre a vida em grupo de chimpanzés, presumo. Verdade é que passam a vida em guerra na tentativa de supremacia e liderança de um determinado grupo. Com os chefes a serem a desafiados por aspirantes, Tendo o líder que mostrar autoridade e onde o menor sinal será lido como fraqueza ou decadência.

Existirá sempre a herança do nosso passado ancestral, a civilização não come os instintos do homem apenas os adormece. Podem dizer muita coisa, mas é a Força que manda no mundo por muito que desejemos esconder essa verdade.

- O que vais fazer com os miúdos que estão no gabinete?

-Humpff... Castigar o mau, proteger o bom... Depois como o bom não pode estar a ser constantemente vigiado e protegido acabará por ser tragado e encurralado, a vida dele vai piorar ainda mais. Excelentes momentos estes...

-

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Frederico fecha o rosto e começa a contorcer o lábio, os olhos ficam mais aguçados, fixa o seu oponente e não desvia o olhar.

- Cabrão! Quando sairmos daqui parto-te os ossos! Capo-te todo ranhoso de merda!!! Ficas a rebolar numa bela poça "Cacas"!

A careta ameaçadora realça a força do impacto.

-Nem sei o que me impede de partir-te agora a cara! Não está cá ninguém agora que saiu a "contínua". O que andaste a dizer de mim? Responde maricas!! O que é que eles querem?
Palhaço de merda! Arranco-te a orelha, arranco-te o nariz, com o dedo espeto-te os olhos até chiares como um porco!!!!

Frederico parecia não estar muito intimidado, estranhamente. Aos impropérios respondia fixando o olhar afiado em mira num horizonte distante. Era um desrespeito! Ao grande javali devorador de homens deve ser prestada vassalagem, só a sua respiração deve espalhar terror. A formiga que não arrisque levantar a fuça. O lugar dos vermes é serem amordaçados na lama fechada encrosta sem fendas, sem luz.

Daniel levanta-se da cadeira e avança com a vontade de num soco corrigir o desvio da curvatura. É para baixo não para cima.

Frederico nunca teve os olhos tão fechados. As pálpebras espremiam a cornea esguinchante, eram aço e nada as levantaria.

No embate do lançamento entre o firmar do punho fechado e o raspar na tangente, das mãos da vitima emerge uma faca que num coice mecânico fere o pescoço do touro.
Num arrebate de esforço ele cambaleia e cai no chão num choro raivoso não estancando o sangue que esguicha.

O que custou isso? Ele treinou, sempre soube que nada pararia o inferno. Queimam-no vivo todos os dias e ninguém faz nada.

No quintal instalou um saco de boxe, rapidamente estourou o tecido e o forro com as investidas, foi com os punhos, pau de madeira, barra de aço, faca, alma.

Todos os dias em que era humilhado, arranjava forças para responder tarde de mais.

Sentiu que tinha que ultrapassar os objectos inertes, mataria pequenos insectos; começou com as formigas, avançou com escaravelhos, tentou com um gafanhoto. Cada vez com menos piedade até sentir o automatismo dentro dele, sem remorso, sem medo.

Havia um cão velho vadio, ninguém o queria, vagabundeava em busca de alimento já corroído da doença e dos vermes. Não foi difícil prende-lo com uma corda num local bem isolado no campo. O ideal seria usar uma arma de fogo. A barra de ferro teria que servir, O primeiro embate custou tanto. O ganir de sofrimento do animal perseguia-o, era agoniante. Foi necessário mais uma dezena de pancadas até que o corpo finasse.

Seguiu-se um gato vadio, custou a apanhá-lo, teve que ser com uma rede. Estava fechado numa caixa de plástico com entradas nos lados para respirar. Nessas aberturas arremessava a barra na tentativa de furar o corpo do animal em fúria histérica. A caixa estava bem amarrada a uma árvore, não fosse isso ela teria voado nos espasmos de revolta que eram soltos, explosões de sobrevivência.
Custou menos, a vontade imensa de terminar aquilo, aqueles gemidos comprometedores; tudo foi apagado.

Ainda houve mais um rato e outro cão. Dizimados numa educação para a morte, Frederico não temeria a consequência, fez o primeiro gesto, só um selvagem vence outro selvagem.

Não chegava ainda, substitui o saco de boxe pelos animais mortos, primeiro com os olhos fechados depois com eles bem abertos matou, matou, matou...Viu as cartilagens abrirem-se. os ossos estalarem, os órgãos caírem, o sangue espalhar-se. Era duro, mas nem já o fedor o enojava.

Ele via o rosto sardento, o sorriso trocista, os punhos fechados, o tronco espadaúdo, os olhos ameaçadores a arderem como laminas que rasgam. Por cada humilhação na escola, um treino, uma satisfação.

Sim ele agora abriu bem os olhos, não será remordido por culpa ao falta. Os gritos latejantes entrelaçados no corpo tombado, nada são.

Daniel estremece, a minhoca mordeu o bisonte e este estúpido permitiu. Inferior podridão pisada cem vezes, quem se julga ela?

Num estoiro de adrenalina, o corpo catapultado em fúria é trespassado continuamente, cada vez mais e de forma célere. O terceiro golpe fere o coração e causa morte imediata, mas só no décimo tudo findou. O sangue espalha-se cada vez mais, uma multidão sussurra nos bastidores e aproxima-se perigosamente da porta.

Ainda há vontade, num gesto rápido a cómoda é arrastada e fecha a entrada, cerrando a porta; não entrarão agora!
O corpo do elefante esquartejado será içado na janela e estoirado no solo a partir de um 2º andar.

Sim está cercado, vozes, gritos, confusão, ruído, a porta a tentar ser arrombada, pessoas a chamá-lo; inicia-se o crepúsculo.

...

Na prisão, dez anos depois o mundo empurra-o para onde ele está. Abandonado, forçaram-lhe um destino, seguiu a via do crime. Desde o internato que nada o detém. Da sua cela ele observa o pátio. Os caloiros ainda não pagaram o imposto do tabaco, o "Sinédrio dos Maus" terá que tomar as suas providências; respeitinho é bom e recomenda-se. Depois existem os "endireitadinhos" que terão que que sentir o enxovalho, acima de nós só os da nossa espécie e bem curvados a rastejar, isto é uma alcateia com lobos no topo e cachorrinhos desdentados a chorar no curral.

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