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Tudo estava a correr mal, não encontrava o caminho que devia seguir e estava já perdido. Apesar de ter sido escrito no papel o relato dos pontos de referência no trajecto automóvel que devia seguir, o meu sentido de desorientação e a minha capacidade infinita para errar voltaram a fazer das suas. Se tivesse descoberto logo o caminho demoraria 20 minutos, com esta brincadeira demorei quatro horas, gastei uma fortuna em gasolina e portagens.
Após trocar alguns telefonemas confusos por telemóvel com a minha cliente, descubro a localidade, depois de estacionar o carro, avancei em direcção à oficina. O meu rosto parecia um tomate, estava com vontade de urinar, com fome e tinha o corpo tenso após uma sessão intensa de adrenalina. Contenho-me como sempre faço e apressadamente bato na porta do portão.
A cliente cumprimenta-me, trocamos impressões ligeiras, não parece acreditar na minha imensa estupidez de não descobrir o percurso certo, um riso mesquinho e trocista é solto. Tem um pequeno cão que lhe faz companhia, chama-se Rufa, um caniche arraçado. Muito enérgico, não me larga sempre a querer subir pelas pernas, tem umas unhas muito afiadas para um cão. Agita intensamente a língua e parece frenético, acompanha-nos enquanto subimos a rampa para o 1º andar.
A oficina tem um ar desleixado, com abundantes manchas de óleo. Falta de circulação de ar, as janelas são minúsculas, a disposição dos objectos é anárquica e assumidamente preguiçosa com muitas coisas colocadas no chão, algo que não deveria acontecer.
A senhora exala um odor de suor intenso, desconfio que há bastantes dias que não toma banho, a respeito do cão é melhor nem falar sobre esse assunto. Sento-me em frente ao computador e tento explicar-lhe as dúvidas que ela tem a respeito do projecto em Auto-Cad, indica-me as alterações que identificou. Enquanto trabalhamos o cão por baixo da secretária não nos larga, com latidos, tentado subir ao colo e lambendo as mãos, exige carícias imediatas.
Enquanto o acaricio no pescoço, sinto o pelo dele e as imensas carraças que estão espalhadas. Fico assustado quando olho por baixo da secretária, dezenas delas saltam para as minhas calças. Procuro manter a compostura, ignorar os factos e continuar o meu trabalho, não quero arranjar problemas com esta bruxa hedionda. Imediatamente fico com uma imensa coçeira na minha perna, não cortei recentemente as unhas como devia de modo que quando me arranho sinto um intensa fricção cortante. Porém não posso resistir a coceira é demasiado forte, trata-se de um suplicio. Só de pensar que estou inundado daqueles horrorosos bichos começo a ficar enojado, eles espalhar-se-ão, cravando-me como sanguessugas abjectas.
Tenho vontade de ir à casa de banho mas por vergonha sou incapaz de tomar a iniciativa, devo seguir em frente e ignorar os problemas. As mãos sujas dela borram o teclado, várias vezes tira macacos do nariz, estou cada vez mais estupefacto com o seu comportamento suíno nesta horrível pocilga em que me encontro. Não posso comentar nada, é prioritário evitar um conflito pessoal, seria uma perda de tempo da qual eu serei o inevitável perdedor.
O cão deve estar com "cio", agarra-se à minha perna e tenta fricciona-la, sinto o pénis dele erecto. Tento afastá-lo, mas ele resiste, abre o focinho e ameaça trincar a minha mão com um ladrar ameaçador. A senhora olha para mim com ar sério e pergunta se estou a magoá-lo, diz que ele é um pouco chato mas inofensivo.
Faz-me ver que está desagradada com os meus modos e que deveria larga-lo, força-me a fazer as alterações necessárias acrescentando novas cotas. Com cada vez mais à vontade o Rufa no seu êxtase vai mordendo as minhas coxas em ataques esporádicos enquanto solta apaixonados latidos de prazer, a minha anfitriã age na maior das naturalidades.
Revoltado expulso o cão de forma violenta da minha perna, consigo sentir no entanto a horrível ejaculação que manchou as minhas calças. A senhora colérica flecha-me com uma bofetada, questionando-me se não tenho vergonha de maltratar os animais. Fico calado e submissivo perante a indignação desta; ameaçadora humilha-me levantando o tom de voz a níveis impensáveis.
Desculpo-me de forma atabalhoada, não refiro nenhum dos atenuantes em última instância teria que recolher à explicação da globalidade da sujeira onde me encontro. Acaricia o animal em tom de compensação e avisa-me que não tolerará outra ofensa grave, cerra os dentes e a expressão sisuda mantém-se.
O clima está definitivamente inquinado, num tom frio e compassado trocamos as impressões mínimas necessárias ao termino da missão. O Rufa após circundar a dona por alguns minutos ganha coragem e aproxima-se novamente de mim. Abre o focinho e enfia os dentes na minha perna, dir-se-ia que está a sondar-me, quando sente mais confiança perante a minha inactividade sobe ao meu colo e suavemente ferra os dentes nas minhas partes baixas. Reajo com muita calma, tento controlar a respiração, o animal fixa-me concentrado, quase que sinto que ri naquele momento.
Tudo é demais: Nervos, a minha vontade de urinar, a fome, calor, desconforto da cadeira, mau ambiente com a cliente, chantagem terrorista canina. Estou cercado e só me resta aguentar até mais não poder. Quero congelar, fugir desta lâmina carburante que vai trucidar-me, não sei lidar com estas contrariedades, na maior parte das vezes quando as ignoro elas acabam por finar-se.
Estou a ser observado, se me portar mal o canídeo não hesitará e aniquilará a minha masculinidade, emite um rugido silencioso de quem detém poder. Pressão incrível, monitorizada ao milésimo de segundo.
Erro ao enganar-me no valor das cotas que devia atribuir à altura do placard de alumínio que será futuramente montado, após receber a repreensão da cliente, o cão ferra os dentes de forma mais agressiva, soltando um rosnar ameaçador e em crescente.
Novas falhas serão punidas de forma mais feroz e devastadora, a minha integridade está em perigo. Tanta coisa em cima de mim, demais para eu aguentar, apetece-me explodir mas tenho uma responsabilidade, um dever, uma missão, devo fazer o que sempre fiz.
Não posso desmoronar-me é com esforço que a minha bexiga aguenta, apesar de tudo alguns jactos escorregam e fracções de urina começam a escorrer pelas minhas pernas, tento disfarçar na medida do possível.
A comichão e a cocheira percorrem o meu corpo como uma serpente, agrido-me enlouquecido numa sarna cruel, as minhas mãos não chegam a todo o meu corpo agredido. A mulher protesta perante o meu comportamento, o cão esmaga-me em crescente e trucida-me em sangue numa raiva cortante.
Estrangulado perante gritos infindáveis, caio no chão torturado até mais não poder, não me contenho e a partir daí vou sofrer as consequências.
Manchado pelo meu nojo sou acometido de selvajaria impensável, tão apertado que penso implodirei antes de explodir. São pontapés de uma bruxa doida que me acusa nem sei do quê, é um demónio que me serra e por fim me arranca uma dor lancinante. Sou um epiléptico em agonia, alguém escorraçado em chuva de ácido, electrificado em dor e sofrimento, demasiado para um corpo em morte.
Tento fugir, correr, grito endoidecido, perseguido por um que é uma matilha, embrulho-me em quedas, arremesso objectos no chão, surdo de tanto berraria. Não consigo descer a rampa, dou uma queda aparatosa enquanto o cão raivoso me morde endoidecido no pescoço.Com um soco portentoso no focinho projecto a besta em direcção à parede em latidos sofríveis.
A dor é muita, tarde demais avancei com a fuga, agora sou arame quebrado em estilhaços de carne infectada. A bruxa na correria de me punir nos estrondosos passos que dá, força a que vários bidões que estavam empoleirados em frágeis prateleiras se desmoronem e caem mesmo em cima do meu corpo doente.
Um acerta no meu rosto e estoira-me em cheio, ceifando-me a vida, outros dois caem no tronco desfigurando ainda mais o meu cadáver apodrecido. Apesar de morto, sou sovado por assombrosas biqueiradas em tom de castigo pelas maldades que fiz.
O Rufa deve ter sido alimentado por carne humana pois ao aproximar-se de mim começa a devorar afincadamente as minhas tripas saídas, deliciando-me com os restos do meu olho esmagado. A doida desvia um bidão que estava em cima do meu corpo que se abre subitamente, de dentro escorrem imensas minhocas que entulhadas, movimentam-se devorando-me.
Danada abandona a oficina, forçando o cão a abalar, entusiasmado que ele estava com as minhas tripas saborosas, esta fecha o portão de forma brusca e só o voltará a abrir no dia a seguir.
Quando regressa, rouba a minha carteira e resolve queimar todos os documentos de identificação, enquanto guarda o dinheiro. Resolve aproveitar as minhas calças para fazer uns trapos, vai buscar uma serra para decepar-me em bocados e assim conseguir disfarçar melhor o corpo.
O cheiro horrível que sai do meu organismo não a afecta, está há muito habituada à nojeira. O cão ladra de loucura, nunca teve uma refeição tão deliciosa, os ossos são um manjar crocante que ele não largaria por nada deste mundo.
Numa ligação directa para o esgoto, através de uma tampa destapada lança as várias partes fragmentadas. Trabalho moroso que faz de modo assertivo e sem perdas de tempo.
Resolvida a contrariedade, urge encontrar alguém que a possa auxiliar no trabalho de sinalética, a entrega está para breve. Resolve contratar outro informático freelance que a possa auxiliar na sua missão. O novo ajudante é no entanto bastante diferente de mim, com personalidade forte e carácter assumido não se encaixa no padrão patológico de vitima consentida.
Logo que nota os primeiros sintomas de anomalia faz notar as suas opiniões, expulsa o cão sem meias medidas e responde à altura com uma chapada bem aviada numa bruxa amochada que percebe que mesmo no seu reino de sombras tem medo de quem é mais forte que ela.
Numa ligação directa para o esgoto, através de uma tampa destapada lança as várias partes fragmentadas. Trabalho moroso que faz de modo assertivo e sem perdas de tempo.
Resolvida a contrariedade, urge encontrar alguém que a possa auxiliar no trabalho de sinalética, a entrega está para breve. Resolve contratar outro informático freelance que a possa auxiliar na sua missão. O novo ajudante é no entanto bastante diferente de mim, com personalidade forte e carácter assumido não se encaixa no padrão patológico de vitima consentida.
Logo que nota os primeiros sintomas de anomalia faz notar as suas opiniões, expulsa o cão sem meias medidas e responde à altura com uma chapada bem aviada numa bruxa amochada que percebe que mesmo no seu reino de sombras tem medo de quem é mais forte que ela.
Ouve os desaforos dele e fica caladinha, quando este fecha o portão de forma abrupta na saída nem se mexe. É preciso ter cuidado nem tudo na vida são favas contadas, vampiros tem que ter cautela com o sangue estragado, existem muitos babacas que respondem à altura. Cordeirinhos mansos existem é só saber pescá-los, pedem desculpa por tudo e no fim pisá-los é uma tentação.
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