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"Ilusão não é o que vivemos? Se só vemos as forças contraídas morremos atropelados. Se reparamos somente nos sorrisos perdemo-nos na estratosfera da inocência."
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O meu amigo hipnotizador, tem um grande talento. Fiz bem em convidá-lo para se juntar a nós, no jantar organizado pela Clotilde. Nesse jantar estavam alguns dos meus supostos melhores amigos incluindo a Clotilde. Depois do repasto, chegou a altura de ele provar os seus dotes e exibir as suas proezas. Hipnotizou-os a todos e deixou-os à minha mercê para que os pudesse questionar à vontade e extrair o que bem desejasse. Ciente do meu poder, ponderei bem e sem receio aventurei-me no politicamente incorrecto, desejando vasculhar a mesquinhez.
Vi a ânsia de poder, os egos desmedidos e tanta troça. Percebo porque os antigos mistificavam tanto o respeito, quando se perde a consideração é mais fácil pisar. O processo pode não ser imediato, mas pouco a pouco já não somos iguais, encolhemos e somos insectos que já não custa tanto pisar quando o incómodo surge.
A culpa é minha, esqueço-me que pessoas são pessoas, e os amigos são confrades que mesmo escondendo as armas na sacola, não as deixam de ter. Inconscientemente revelo-me sem temor, os meus defeitos são abertos e a minha imprudência fatal. Há uma constante luta de poder, domínio de egos, nas conversas , nos relacionamentos. Exigente na escolha, relaxo depois da conquista e esqueço que nas planícies abertas o mesmo cão de guarda pode virar lobo. Nunca se deve baixar a guarda, pois podemos passar por fracos, dependentes e tolos.
Vejo o que pensava ver mas com pormenores diferentes. Relembro histórias passadas e compreendo erros dissimulados. Percebo a minha culpa e como ela foi amplificada na fraqueza apreendida. Decididamente a minha honra está na lama e o meu orgulho não existe.
Mando os ajudantes entrarem, colocam as metralhadoras em posição, os disparos consequentes despedaçam os corpos ensanguentados. Não eles não traíram o nosso bando, não denunciaram nada à policia, nem sequer roubavam dinheiro para o bolso. Simplesmente não me respeitavam e neste ramo, não ser respeitado é o primeiro passo para cair. O respeito é a nossa armadura, brevemente começariam a lançar a primeira pedrada que iria caminhar para uma granada que um dia rebentaria quando fechasse os olhos.
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