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Ética é o nome geralmente dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra "ética" é derivada do grego ἠθικός, e significa aquilo que pertence ao ἦθος, ao carácter.
Definir regras que orientem a sociedade e o Homem tem sido uma preocupação desde há séculos. Se seguirmos essas regras poderemos mais facilmente praticar o Bem.
Bem (do latim bene) é a qualidade de excelência ética que leva a uma melhor compreensão do amor, da irmandade, da humildade e da sabedoria.
Imaginemos que conduzimos um carro, as regras de trânsito são a moral e a ética. Sabemos que existe uma hierarquia de regras, há umas mais importantes que outras. Não ligar o pisca, quando estamos a passar numa rotunda vazia sem outros carros, não nos parece particularmente grave. Não parar num sinal vermelho, ou perante um sinal de Stop tem outro sentido, bem mais gravoso.
Provavelmente se estivermos no campo, ou num território mais desocupado poderemos ter mais liberdades do que habitualmente seria permitido. Aceleramos de forma mais descontrolada, mudamos alternadamente de faixa e sobretudo baixamos o sentido de alerta ao conduzir, sentimos-nos mais descontraídos, menos tensos. Apesar de tudo podem continuar a existir acidentes.
As regras existem para nos proteger, no nosso dia-a-dia, constatamos que frequentas vezes infringimos algumas regras, por experiência muitas delas parecem-nos pouco importantes. Passar com o sinal amarelo, não fazer pisca quando se pretende estacionar à direita, ultrapassar os limites de velocidade por pouco...
Quem é condutor há anos sabe que tem sempre alguns pecadilhos no currículo.
Criam regras de moral e dizem-nos que não podemos mentir, ou pelo menos não dizer grandes falsidades. Quem habite no mundo real, sabe que é complicadíssimo nunca dizer nenhuma mentira, muitas vezes dizer a verdade crua e nua é que provoca acidentes. A própria sociedade prefere viver anestesiada com aldrabices açucaradas, os dramas horríveis mesmo que honestos deprimem muita gente.
Se algum condutor pisar o traço continuo, porque se encostou muito à direita e fazendo-o de modo acidental se for descoberto pela policia de trânsito, pode ser autuado e terá uma penalização.
Se um homem está no vestiário do ginásio a espreitar a mulher do melhor amigo a vestir-se e está a fazê-lo porque surgiu uma circunstância fortuita. Se for descoberto, e o amigo ficar furioso por achar que houve uma falta de consideração por ele, deverá ele lamentar os seus instintos sexuais que o levaram a este infortúnio? Se fosse outra pessoa a ser espiada seria melhor?
O problema das leis! Sendo demasiado genéricas podem não ser práticas, demasiado especificas podem só funcionar para poucos casos não tendo capacidade de adaptação. O mundo está cheio de zonas cinzentas, com curvas e contra-curvas, raciocínios simplistas lineares só no jardim de infância.
O que faz um bom condutor? Cumprir escrupulosamente todas as regras de trânsito sem qualquer falha? Mesmo um condutor que seja assertivo e cumpridor não está isento de ter vários acidentes. Outros condutores podem ser os causadores do infortúnio e os factores variáveis.
Depois há que ter em conta, o grau de dificuldade, um taxista tendo em vista o número de horas que conduz e os trajectos que faz não terá mais facilidades a cometer erros que um condutor de fim de semana que anda poucas vezes? Curiosamente e paradoxalmente existem duas respostas. O taxista tem mais possibilidades de errar, porque conduz mais vezes no entanto tem mais experiência e isso é um factor de minimização. O condutor de fim-de-semana anda menos horas na estrada , reduz as possibilidades de risco, mas tem menos experiência e isso pode-lhe ser fatal.
Um trabalhador de um supermercado local que mora num bairro social, conhece várias pessoas que são delinquentes e amigos do alheio, sentir-se-á mais tentado a entrar na vida do crime? Um Frade Dominicano que recentemente saiu da reclusão e está inserido nesse bairro social e dá apoio social certamente será mais resistente moralmente?
Quando ele estava no mosteiro, tinha certamente menos possibilidades de cometer falhas morais, estava limitado a um espaço e havia menos margem de manobra da falhar. Se vai fazer o trabalho de assistência social para o bairro e já tem alguma idade, possui outra segurança por já ter alguma maturidade de carácter e experiência. Tal não é possível actualmente, mas se acontecesse ele ser frade aos dezassete anos, com essa idade poderia ainda não ter ainda a maturidade desejável. Naquele bairro, poderia cometer alguns erros, como todos os homens cometem. Trair os votos de castidade, começar a ajudar traficantes, acabar por envolver-se com eles, fugir, ser perseguido pela polícia.
Mesmo imaginando que o frade seria mais velho, os filmes de Hollywood ensinaram-nos que a linha mais torta cruza sempre as cataratas do Niagára no deserto do Sahara em noites de lua cheia.


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